É certo que você tenha sofrido muito nessa vida com experiências que não deram certo, com pessoas que não te fizeram bem, com sonhos e planos despedaçados e uma série de coisas negativas que é impossível mencionar.

Já ouvi muita gente dizendo (inclusive eu já disse muito) que fulano ou ciclano me decepcionou terrivelmente. Vejo gente todos os dias superchateadas porque se sentiram traídas por uma pessoa, por uma situação, ou seja lá o que for. Você sofre por decepcionar-se o tempo todo.

Mas por que nos decepcionamos?

Ah, porque somos umas bestas e caímos na conversa das pessoas ou porque o mundo tá cheio de gente mal caráter e blá, blá blá…

Vou te contar uma coisa agora: as pessoas não te decepcionam, você é que se iludiu ao ponto de criar uma imagem que não existia! Ou seja, explicando melhor: nós nos iludimos constantemente criando em nossa cabecinha um tipo de pessoa que não existe e quando simplesmente consigo enxergar essa verdade eu ainda culpo o outro! Isso mesmo! Eu digo que o outro me decepcionou.

Um exemplo: você conhece uma pessoa e pensa, naquele momento, que ela é incrível, fiel, bonita, inteligente, bem-humorada… PERFEITA! Já começa aí o erro, pessoas perfeitas NÃO EXISTEM. Daí passa um tempo de relacionamento e você começa a perceber coisas que não gosta no outro, atitudes, forma de pensar, etc. A sua venda começa a cair e você ainda acredita que o outro está mudando e não sua forma de ver.

Então, passado mais um tempinho, a pessoa te trai ou age de uma forma que você jamais poderia imaginar e você se choca de uma forma tão absurda que fica extremamente DECEPCIONADA(O) com outro, e fica se perguntando: “como ele foi capaz de mudar tanto?” “Por que ele fez isso comigo?”

Uma verdade: o outro não mudou e tudo aquilo que ele fez com você já fazia parte do caráter dele, da pessoa que ele é e você simplesmente não enxergou isso. Mas por que? Porque estava ocupado(a) demais com a imagem, o personagem que você criou em sua cabeça. Ocupado demais em colocar o outro num pedestal e rotulá-lo como perfeito e que jamais cometeria qualquer erro. E quando você se depara com a realidade, prefere dizer que o outro foi ruim, que o outro foi cruel e não, que você não foi um iludido cego.

Leia Mais: Excesso de expectativas: Como lidar?

Criamos demasiadas expectativas com relação às pessoas e coisas. Não compreendemos que elas são o que são, do seu jeito e não do nosso. Criamos cenas e sensações tão grotescas e imensas que ao primeiro descuido do outro você se choca. Nos chocamos fácil demais porque mantemos uma ideia fantasiosa da vida. No dia em que enxergarmos tudo com os olhos da realidade, do despertar, entenderemos o que acontece à nossa volta, entenderemos porque as pessoas agem da forma que agem.

Você jamais se decepcionará porque estará enxergando na realidade e não na fantasia, esse universo bobo que vivemos nele todo o tempo. Escolhemos viver nele, afinal, muitos acham a realidade dura demais pra viver nela.

Mas eu ainda prefiro à realidade do que a fantasia que me leva sempre de encontro ao sofrimento. Enquanto não enxergarmos as pessoas como realmente são viveremos na dor, no sofrimento, no desalento e sempre pasmos ao se perguntar: “por que ele fez isso comigo?”. Ele não fez nada com você que ele já não faria, colega! Quem mandou pintá-lo com cores brilhantes e acreditar que ele era perfeito, han?

Realidade é pior que mil adagas perfurando nosso corpo. Mas, te confesso, o acordar de uma fantasia criada com tanto esmero, dói muito, muito mais.

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Cris Souza Fontês
Escritora, blogueira, amante da natureza, animais, boa música, pessoas e boas conversas. Foi morar no interior para vasculhar o seu próprio interior. Gosta de artes, da beleza que há em tudo e de palavras, assim como da forma que são usadas. Escreve por vocação, por amor e por prazer. Publicou de forma independente dois livros: “Do quê é feito o amor?” contos e crônicas e o mais espiritualizado “O Eterno que Há” descrevendo o quão próximos estão a dor do amor. Atualmente possui um sebo e livraria na cidade onde escolheu viver por não aguentar ficar longe dos livros, assim como é colunista de assuntos comportamentais em prestigiados sites por não controlar sua paixão por escrever e por querer, de alguma forma, estar mais perto das pessoas e de seus dilemas pessoais. Em 2017 lançará seu terceiro livro “Apaixonada aos 40” que promete sacudir a vida das mulheres.


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