A depressão é uma das patologias mentais mais difundidas no mundo. De fato, estima-se que a doença afeta 4,4% da população mundial e 5,8% dos brasileiros, segundo dados da OMS. Brasil é o país com maior prevalência de ansiedade no mundo: 9,3%.

Entretanto, além da tristeza, do desespero e da apatia associados a esse problema, os efeitos da depressão também se estendem a outras esferas gerando mudanças muito curiosas.

1. Depressão reduz o tamanho do cérebro

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Yale descobriu que a depressão pode causar uma diminuição no volume cerebral, porque os neurônios em algumas áreas são menores e perderam a densidade. Como resultado, as conexões neuronais são afetadas. Para alcançar esses resultados, o tecido cerebral de pessoas com e sem depressão foi analisado.

Aparentemente, tudo é devido ao GATA1, uma proteína que participa da regulação da transcrição do DNA e age como se fosse uma mudança genética que é ativada no cérebro de pessoas que sofrem de depressão.

O GATA1 reprime a expressão de alguns genes envolvidos na formação de conexões sinápticas entre neurônios que afetam o tamanho e a complexidade de dendrites, que são essenciais para a sinapse. Como você pode imaginar, esta perda não só provoca alterações para afetiva e nível cognitivo, mas também provoca uma perda de massa no córtex pré-frontal, que desempenha um papel fundamental na tomada de decisões, controle de impulsos e manuseio emoções

2. Diminui as lembranças

Pesquisas na Universidade Brigham Young descobriram que a depressão obstrui as lembranças. Na verdade, durante décadas, a depressão esteve ligada a uma memória fraca, mas a verdade é que o mecanismo básico não era conhecido. Agora, esses pesquisadores trouxeram à luz.

Leia Mais: Depressão sem motivo: é possível?

Esses cientistas recrutaram pessoas diagnosticadas com depressão e outras supostamente saudáveis. Cada participante viu uma série de objetos que apareceram na tela. Em seguida, outros objetos foram apresentados e desta vez tiveram que indicar se tinham visto antes, se foi um dos objetos exibidos ou se era algo totalmente novo.

Nesse ponto, os pesquisadores perceberam que as pessoas deprimidas tendiam a confundir os objetos que os marcavam como semelhantes a outros que já tinham visto. O que significa isto? Que a depressão não causa amnésia, mas uma falta de precisão nos detalhes, é como se as pessoas deprimidas continuamente usassem óculos que obscurecem a percepção e, como resultado, não conseguem se lembrar dos detalhes.

3. Melhora a percepção do tempo

Embora a depressão seja revestida com uma alma negativa, também tem suas vantagens. De fato, um estudo desenvolvido na Universidade de Hertfordshire mostra que pessoas deprimidas têm uma percepção mais objetiva do tempo do que os outros mortais.

O estudo envolveu pessoas diagnosticadas com depressão moderada e outras supostamente saudáveis. Eles tiveram que ouvir 5 bips com duração de 5 a 65 segundos e, em seguida, foram informados de que tinham de lembrar números (tarefa de um desregulador) e, então, pediu-se que avaliassem a duração de cada tom.

O curioso era que, praticamente sem exceção, as pessoas que não estavam deprimidas faziam estimativas mais altas, ao passo que, ao contrário, as pessoas deprimidas eram muito mais exatas. Por quê?

A explicação pode estar no conceito controverso de “realismo depressivo”, segundo o qual as pessoas deprimidas não são afetadas por expectativas positivas em excesso e muitas vezes temos aqueles que não sofrem de depressão apesar do diagnóstico.

Fontes:
Shelton, D.J. & Kirwan, C.B. (2013) Uma possível influência negativa da depressão na capacidade de superar a interferência da memória. Pesquisa Cerebral Comportamental; 256 (1): 20-26.
Kornbrot, D.E. et. Al. (2013) Tempo Percepção e Realismo Depressivo: Tipo de Julgamento, Funções Psicofísicas e Viés. PlosOne; 8 (8).
Shirayama, Y. et. Al. (2002) Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro Produz Efeitos Antidepressivos em Modelos Comportamentais de Depressão. The Journal of Neuroscience; 22 (8): 3251-3261.

(Fonte: rinconpsicologia)
*Traduzido e adaptado pela equipe Fãs da Psicanálise

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