Histórias de amor nem sempre acabam bem. E isto, é um fato. Parece brincadeira, mas, às vezes, a clássica “ rapaz conhece garota, garota conhece rapaz e são felizes para sempre” nem sempre tem o final digno de um conto de fadas.

Duas pessoas podem se encaixar perfeitamente nos pré-requisitos de outra, terem amigos em comum, gostos em comum, talentos em comum, ideais em comum, morarem praticamente do lado uma da outra, talvez até no mesmo bairro, à distância do ponto de uma banca e de uma curva, e a vida as colocar em destinos opostos, até que encontrem uma trilha num buraco entre o tempo e espaço e possam existir, a dois. Ou, não.

Mas a vida é expert em sabotar os planos e, de repente, o que tinha tudo para dar certo, até começa, mas, não termina nada bem. Nossas escolhas definem nosso destino. E é aí que passamos para análise do casal querido, Emma Morley e Dexter Mayhew, imortalizado na obra do romancista inglês Nicholas Sparks, tornando-se uma de suas obras mais aclamadas de todos os tempos, “Um dia”.

O filme é marcado pela data de 15 de abril em 1988, ambos se conhecem na formatura da faculdade. Eles têm um breve romance e esta data os marcará pelos próximos 20 anos. Confesso que também possuo uma data especial, 5 de maio. ..

E sei que serei assombrada por ela provavelmente por toda a minha vida (pausa para longo suspiro). Os dois sabem que o amanhã é incerto para eles, pois são,a todo o tempo, colocados em rumos diferentes. Mas aquela data, bem sabem ,se tornou inesquecível, verdadeiramente especial.

Ao longo dos anos, acompanhamos as mudanças drásticas na vida dos dois ,que as vivem de forma isolada, diferente da forma como imaginaram. Ambos procuram,à sua maneira, manter o sentimento de outrora de alguma forma.

Sentimento este, sentido claramente por Emma, que não consegue se entregar totalmente ao seu parceiro amoroso com a mesma sede de sentimento que nutre por Dexter, em secreto. Ela o ama, ponto.

Ele,por sua vez, faz questão de manter uma postura mais fria, distante, sempre a tratando como uma querida “amiga colorida”. Mas,em seu íntimo, ele guarda com carinho, mesmo relutando, aquele noite. Dexter, hoje com fama, status, leva uma vida regada a festas e várias conquistas amorosas. De alguma forma, ao mesmo tempo que nutre, ele busca sufocar este sentimento que reluta sentir por Emma.

O romance, cujo encontro acontece ao menos uma vez por ano, é marcado por flashes de tempo, e compartilhado com risos, lágrimas e arrependimentos. Dexter se casa, se torna pai e, após ser traído pela esposa, entra em depressão e é este vazio, que sempre o perseguiu durante toda sua vida, mascarado por ele numa aura de superioridade, que o empurra de volta para Emma, que, a esta altura, cansada de esperar que o amigo finalmente a enxergasse, já está com um novo amor.

Durante este encontro, os dois se rendem a uma breve relação sexual, que culmina por reavivar na memória de ambos, o sentimento abafado por duas décadas.

Dexter finalmente cai em si, percebe que ama a amiga e os dois, então, dão uma nova chance ao amor. Tudo o que Dexter procurara em outras mulheres estava todo o tempo bem ali,ao seu lado. Sua melhor amiga, sua confidente, sua parceira de risadas, lágrimas, sonhos, sua alma gêmea. A mulher da sua vida sempre fora Emma.

E então,quando finalmente a vida começa a entrar nos eixos e a chama do amor se transformou em labareda se alastrando nos corações de ambos,a vida de Emma é ceifada e Dexter perde o amor de sua vida, para todo o sempre.

Sim,não é o final que esperávamos,mas ,não deixa de ser a realidade para tantos casais como Dexter e Emma.

No cinema, a interpretação de Anne Hathaway e Jim Sturguess traz uma verdade impactante. Nós mergulhamos na tela e nos apaixonamos por toda a verdade e ternura trazida pelos grandes olhos da fofíssima e bela Anne.Jim, por sua vez, encarna com perfeição o cafajeste destruidor de corações e nos passa muita credibilidade.

Tanta, que dá asco dele. O perfeito machista, frívolo, fútil, prepotente, superficial. Antítese perfeita de sua admiradora.

Retrato, por conseguinte, de muitos homens com quem encontramos por aí que troca de parceira sexual como quem troca de roupa, pouco se importando com o sentimento delas. Infelizmente, nos deixamos nos envolver por este tipo que parece que só surge para destruir nosso psicológico. Já Emma, é o retrato da garota bacana, honesta, parceira, gente boa. A fofa, que vive se ferrando na vida por não conseguir impor limites na forma como Dexter e as demais pessoas a tratam.

Me emociono com ela quando, ao constatar que Dexter continua o mesmo; cheio de si, com o ego inflado pela admiração de patéticas admiradoras. E então ela, resignada, o abraça e, entre sinceras lágrimas, declara:

“Eu te amo, Dexter. Muito, muito e, provavelmente, sempre te amarei.Só que eu não gosto mais de você.”

Já me peguei várias vezes ensaiando essa frase para aquela pessoa especial de 6 de maio que confessei no início do texto e que sempre marcará a minha vida, mas eu sei que não vou ter uma chance de falar isto pessoalmente, então, este texto, de certa forma, confessa este sentimento.

É Emma, eu sei. Nós, que sentimos, sabemos.

Ela leva 20 anos para se reconstruir emocionalmente, correr atrás dos seus sonhos, recuperar o tempo perdido. Uma perfeita heroína, protagonista de si mesma.

O romance serve como reflexão para nos perguntamos o porquê de sermos tão indecisos, covardes, com nossos sentimentos. Este sadomasoquismo que nos faz fugir de nossos sentimentos, ao mesmo tempo em que somos tão relapsos com os sentimentos dos outros. Dexter, experiente, sabia que Emma o amava.

Mas ele a manteve na friendzone talvez por saber que, na sua velhice, quando os dias de glória passassem e ele estivesse exausto da vida fulgás que levava, a sempre gentil Emma lá estaria, o esperando. Então, ele se acomodou e decidiu curtir a vida. Mas, caiu em si, tardiamente. E, por completa imaturidade, perdera a chance de passar dias felizes com aquela que nascera para ser a sua parceira de vida.

Dedico este texto a todos os Dexter´s, com a seguinte mensagem: Cultive sua Emma, faça ela saber que a ama. Assim como no filme a tecla do rewind não conseguiu mudar o final do filme, a vida também não possui a função replay.

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Daniele Abrantes
Sou jornalista de espírito vintage, que ama compor músicas ,pintar, e escrever sobre assuntos voltados à compreensão das relações humanas e da profundidade da alma. Acredito que as duas maiores forças que possuem o poder de mudar o nosso dia a dia são o Amor e a Empatia. Grata por compartilhar com vocês esta jornada.

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