Machado de Assis trata a dúvida sobre o adultério de Capitu em tom de bom humor e cinismo, já que, para a moral burguesa do século XIX, o adultério feminino era algo abominável. Contudo, ainda não é?

Apesar do fato ser cada vez mais frequente em estatísticas sobre casais, ainda parece um tabu.

O autor trouxe ainda em sua obra, por meio da personagem Capitu, uma mulher avessa à maternidade, pois temia o parto e não gostava de pensar em gravidez. Outra situação muito rotineira em pleno século XXI, porém ainda algo não muito comentado, correto? Afinal a visão da mulher ligada ao lar e papel de mãe ainda parece muito enraizada, por mais que ela tenha conquistado seu espaço no trabalho e muitos avanços tenham sido feitos nesse sentido.

O tempo passou, porém ainda há certo julgamento sobre o adultério feminino como mais grave do que o masculino. Parece até algo mitológico a cena em que um homem pega uma mulher em flagrante e mede forças com amante dela.

A honra da mulher adulta, séculos atrás, era manchada. E hoje, como fica? Os olhares alheios? Era um fugir ou morrer.

O casamento tem soado a alguns casais como uma prisão, uma relação de convívio como fardo. O chamado o adultério baseado na noção de infidelidade, remete a uma relação sexual extraconjugal, ligado também a certa noção de pecado.

Talvez o maior peso do adultério feminino seja relacionado ao costume de algumas religiões ou tempos passados, em que a virgindade feminina era valorizada.

Há também que se pensar sobre algumas culturas em que a poligamia masculina é aceita.

Recentemente, no século XX, você pode realmente pensar em buscar o amor e conhecer um par desejável para construir uma relação, o que é antes era papel das famílias realizar.

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Apesar de poder escolher com quem vão se casar, a convivência e outras problemáticas acabam mostrando altos índices de infidelidade nos casamentos brasileiros.

Culturalmente, é raro os homens admitirem que foram traídos por suas parceiras, pois ainda parece existir uma grande liberdade para trair. Contudo, ser traído parece uma grande cutucada na virilidade do homem.

Será que já foi pensado em como se sente uma mulher traída? Essa ideia de que mulher trai pois ama alguém fora da relação e deseja um novo casamento deve ser rompida. Homem não trai sempre por buscar prazer, assim como mulher nem sempre trai buscando afeto.

Vamos pensar além disso. Todos têm curiosidades, também certos ódios e dores em relações aos parceiros, o que muitas vezes leva a certa necessidade de “trapacear”. É um assunto muito complicado a se falar abertamente por conta de tantas percepções negativas da sociedade, mas é um fato que se faz bastante presente, não há como negar.

Sempre houve prazer nos desejos proibidos, sentimento de poder, desafio da ordem social, possibilidade de punição e quebrar as regras.

Cada casal, união e traição deve ser pensado de modo muito particular, afinal o que uniu ambos e o que os afasta? O que diz aquele ato sobre o casal? Pois o que para muitos pode ser um fato inadmissível, para outros é ok e tudo bem.

Uns fecham os olhos, aceitam; outros quebram o casamento, brigam, cada um no seu modo. O que levou cada um a trair? Há que se pensar sobre.

Independentemente do tipo de adultério, cada um teve seu significado e resultou em um fim.

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Mariana Pavani
Psicóloga, estudante de Psicanálise. Colunista do site Fãs da Psicanálise.

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