Oi, querida. Não vou te perguntar como vai, sei que vai mal. Apesar da vida corrida, dos compromissos constantes, do sorriso que você não tira do rosto, sei que vai mal. À noite, cem emails pra responder, matérias pra terminar e uma cidade pra atravessar. Vai mal.

A troco de quê você tem feito isso com você mesma, querida? Não, não coloque a culpa nos outros. Nos relacionamentos falidos à sua volta que você sempre julgou e agora mimetiza. Nos amigos que não te entendem quando você mais precisa. No tempo que te falta pra pensar. Você, logo você, que canta “I Am Mine” (tradução livre: Eu Sou Minha) alucinadamente no trânsito de volta pra casa, vai me dizer que a culpa é dos outros? A vida é sua e quem sabe dela é você.

Esse relacionamento acabou faz um tempo. Isso não quer dizer que o respeito e o carinho acabaram ou que a história que você viveu durante anos não valeu a pena. Só quer dizer que acabou. Filmes acabam, livros acabam, nosso tempo nessa Terra acaba e você aí, carregando o peso do mundo nas costas pra prolongar algo que não existe mais. Let it go? Você realmente vai chorar ouvindo essa música quando a sua prima assiste Frozen? Ou vai encarar a vida como a adulta que você tem que ser agora?

Não vai ser fácil. Você não vai parar de sofrer instantaneamente, suas dúvidas não vão sumir todas de uma vez. Você vai se questionar, se cobrar, se culpar. Seus pais? Silêncio. Sua família? Comentários inconvenientes. Ninguém pra passar a mão na sua cabeça e dizer que vai ficar tudo bem. “Mas vocês formavam um casal tão bonito…”, “Vai demorar pra você encontrar outra pessoa dessas!” e “E se ele/ela aparecer com outra/outro?”. Não sei!

Não importa o quanto as pessoas te cobrem: tira esse peso do seu ombro, querida. Podia ser a pessoa mais bonita e gentil do mundo: se acabou, acabou. Ninguém é obrigado a estar com ninguém, sabia? Só você sabe o que de fato esse relacionamento é. Antes de tomar a sua decisão pelos outros, lembre-se que a cabeça que deve estar em paz no travesseiro no final do dia é a sua. Se você continuar e der errado, lá na frente é capaz de essas mesmas pessoas virarem pra ti e dizerem: “falei pra você terminar”.

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Aprenda a ouvir o seu coração e não se culpe. Não se desculpe. Você fez o que dava e o que não dava, querida. Enfrentou demônios que não eram seus, fez sacrifícios a troco de nada. A frase que te serviu de inspiração ao longo da vida pra explicar o motivo das pessoas se encontrarem nesse mundo, serve agora pra te tirar de onde você está:

“Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só nem nos deixa sós. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, mas há os que não levam nada. Essa é a maior responsabilidade de nossa vida, e a prova de que duas almas não se encontram ao acaso.”

Há os que levam muito e não deixam quase nada. Mas as pessoas passam. Isso também vai passar, essa é a verdade imutável do universo. Depois disso, vai sobrar o aprendizado e a certeza de que você entregou tudo o que tinha nessa experiência. De todas as coisas, deixe que essa entrega não passe, assim seu tempo por aqui valerá mais a pena.

Abrace sua essência e siga em frente. Ame você primeiro. Isso também vai passar.

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Natalia Belizario
Estudante de jornalismo, atualmente mora em Amsterdã. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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