Sabe, às vezes somos rígidos demais com a gente. Somos os maiores críticos de nós mesmos, nos colocamos para baixo e nos castigamos por um ou outro deslize.

Aliás, nem sempre é um vacilo, por assim dizer. Às vezes a gente se culpa por fazer exatamente o que deveria ter feito, apenas porque gerou consequências – mesmo sabendo que elas sempre existiriam.

Nunca se culpe por gostar e importar-se com alguém. Sim, às vezes isto acontece e se pensarmos o quanto isso é absurdo, talvez a vida faça um pouco mais de sentido.

Deixam o medo da rejeição ou de parecer afetivo demais se sobrepor às vontades de demonstrar amor. Eu acredito que sempre temos que deixar a nossa melhor intenção com a outra pessoa, mesmo que ela não saiba ou queira recebê-la.

Nunca se culpe por insistir, por seguir o seu coração e pensar: “dane-se tudo, eu vou fazer dar certo”. Não se culpe por enfrentar todos os mares para estar ao lado de quem se ama. Se o amor for verdadeiro, sempre vale a pena, mesmo que no final não dê certo ou você se repare com a ingratidão. Nada melhor do que sair de uma relação com a consciência tranquila de que fez tudo o que podia ter feito.

Nunca se culpe por desistir. Não se culpe por chegar ao seu limite ou por perceber na porta da igreja que aquilo tudo que você estava vivendo não era amor. Não se escolhe o momento em que vêm à tona as respostas de todas as dúvidas.

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Por que sentir culpa de libertar alguém que merecia um amor o qual você nunca conseguiria dar? Ou por buscar a sua felicidade que estava bem longe daquele lugar?

Nunca se culpe por fazer aquela ligação quando sentir saudade, por querer por perto aquela pessoa que você ama. Nunca se culpe por querer voltar atrás e consertar seja lá o que se quebrou. Nunca é tarde para fazer a coisa certa, mesmo que a pessoa do outro lado não queira saber. A intenção positiva sempre é válida – pelo menos para a paz interior.

Enfim, nunca se culpe por sentir. Se tiver que declarar-se, terminar uma relação, perdoar-se, admitir a falta de alguém, o faça. Simples assim, sem medo do que vier. Não tente mascarar os seus sentimentos, tenha orgulho das coisas que vêm do coração. É o mais verdadeiro que se pode oferecer a alguém e a si mesmo.

Geralmente, nos aprisionamos, sabe como é? Não queremos sentir, dizer e nem demonstrar. Lutamos dia a dia para nos policiar da exposição dos nossos próprios afetos. Desperdiçamos tanto tempo fingindo não sentir ou tentando diminuir os nossos sentimentos, perdemos tantas pessoas pelo medo de demonstrar ou por não saber como elas irão reagir que, quando percebemos, só acumulamos vazios.

Sentimos culpa por quase tudo que fazemos ou deixamos de fazer. Eu acredito que um dos momentos mais libertadores da vida é quando conseguimos nos entregar aos nossos afetos, sem culpa por sentir, sem medo de descobrir a resposta do outro lado e sem medo do futuro. Mesmo sabendo que, se alguns sentimentos nos revivem, outros podem nos matar.

Mas eu ainda prefiro morrer sentindo a viver tentando não sentir, sabe?

Via nosso site parceiro Antes da Sobremesa
Autor: Francisco Galarreta

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