Eu estava trabalhando mas não conseguia me concentrar.

Estava em casa. Sozinho. Na frente do computador, eu tentava me concentrar mas não conseguia ordenar meus pensamentos.
Eu sentia um vulcão dentro do meu peito.

Na verdade não sabia se era um vulcão, um maremoto, ou um furacão. Só sabia que tinha alguma coisa dentro de mim que precisava ser olhada.

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Era como se meu peito gritasse por atenção.

Eram emoções e sentimentos.

Eu tentei fugir deles. Tentei ignorá-los. Tentei fingir que nada estava acontecendo. Tentei focar na minha produtividade.

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Coloquei um fone de ouvido pra ver se eu parava de escutar. Mas quanto mais eu ignorava, mais forte ficava.
Aí e não aguentei mais.

Levantei da cadeira. Coloquei mantras no som. Deitei no chão. Fechei os olhos. Voltei minha atenção pra dentro. E comecei a chorar.

Foram alguns minutos. E aí eu senti um alívio.

Às vezes só o que a gente precisa é dar uma choradinha. Minha amiga Paula Belleza me falou isso uma vez e eu sempre penso muito nisso toda vez que tenho vontade de chorar.

O choro é uma espécie de descarga. É tão natural quanto fazer xixi. É colocar pra fora aquilo que precisa sair.

Nossa sociedade não permite que a gente chore. Temos que engolir o choro. Ou pedir desculpa quando começamos a chorar.

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Eu até sinto um pouco de vergonha enquanto escrevo isso. São anos e anos de programação que me fazem achar errado um homem chorar. Ou que não posso demonstrar fraqueza. Mas eu não caio mais nessa.

Chorar é normal. Faz bem.

Ontem eu chorei e depois de chorar fiquei mais forte. Senti alívio por permitir. E meu corpo agradeceu.

(Autor: Gustavo Tanaka)
(Fonte: blog.gustavotanaka.com.br)

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1 COMENTÁRIO

  1. Esse texto me faz refletir sobre como eu tenho problemas em chorar, fiz uma conta rápida e durante o ano eu choro em média uma ou duas vezes. E é justamente nesse negócio da fraqueza que pega pro meu lado, eu me faço de forte o tempo todo para todo mundo que as vezes chorar parece errado.

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