41643563 - concentrated fool man

Guilherme Figueiredo foi o irmão mais esperto daquele general-presidente. Ele lançou, nos anos 1960, o livro “Tratado Geral dos Chatos”. É um clássico da tipologia daquele indivíduo que quando pensa, pensa alto. E que não nasce, despenca. A obra de Figueiredo é completa. Mas, como sou um tremendo de um chato, resolvi dar um “update” nela. Até porque os chatos são como as baratas, pode haver uma explosão atômica que eles sobrevivem e ainda se atualizam na pentelhação.

Chato-Coruja: É tido como símbolo da sabedoria, mas não consegue interpretar um texto de 140 caracteres no Twitter. Em função desta dificuldade em entender o mundo, alopra e enche o saco de tudo e todos o tempo inteiro.

Chato-Papagaio: Aparenta ter um discurso próprio, no entanto, só sabe papaguear o que os outros verbalizam à sua volta. O seu conhecido “efeito eco” incomoda qualquer espírito, até os mais pacíficos.

Chato-Leão: Além de inconveniente e egoico, é melindrado. Se alguém o chama de mala, joga tudo para cima, xinga, quebra a mobília e parte para cima com fúria animal. Nas redes sociais é o tipo que polariza até o ponto de ameaçar de morte os outros comentadores.

Chato-Urubu: Só se alimenta de matérias mortas e acha que quem não é “vintage” ou retrô como ele é lixo. Sua arrogância é nojenta como a matéria inorgânica que manipula.

Chato-Sanguessuga: É o chato ortodoxo. Aparece do nada e gruda nos outros sugando-lhes o sangue e a energia vital até adoecê-los. Há relatos não-oficiais de que cidadãos que nunca mais recuperaram seu eixo após entrarem em contato com o parasitismo desse inconveniente.

Chato-Invertebrado: É um ser vivo, extremamente enfadonho, que difere dos outros tipos de chatos porque não possui crânio.

Leia Mais: Já te falaram que você é um chato?

Chato-Fox Paulistinha: Carente, hiperativo, cansativo não consegue viver se não houver um ser humano lhe dando atenção, nos mínimos detalhes, 24 horas por dia.

Chato-Centopeia: Parece contar com mais de 100 pares de pernas para correr atrás de alguém por ruas, shoppings, aeroportos, e até no Exterior, para aborrecê-la até o limite da insanidade com suas asneiras.

Chato-Girafa: É aquele que fica pescoçando tudo o que vê: pessoas lendo, gente assistindo filme, casais namorando em restaurantes, papos de elevador etc. Além de se meter com comentários estúpidos na vida alheia, ainda derruba tudo que tem pela frente com o cabeção.

Chato-Morcego: Muito comum entre artistas, não tem o menor pudor em chupar as ideias alheias. Como não se enxerga, o chato-morcego acredita que os outros também não veem o que ele faz.

Chato-Jiboia: Não chateia pelo discurso, nem pela ignorância, mas pelo mau hábito de ter um terrível mau hálito.

Chato-Bichano: Tem a curiosidade dos felinos e fica fazendo pergunta em cima de pergunta ao pobre infeliz que tiver que aturá-lo. Ter a companhia um chato-fox paulistinha e um chato-bichano, ao mesmo tempo, pode ser fatal.

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Carlos Castelo
Carlos Castelo é psicanalisado, escritor, letrista e um dos criadores do grupo de humor musical Língua de Trapo. É colaborador do Estadão e das revistas Bravo, Ponto (Sesi-SP) e Bula. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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