Os relacionamentos entre homens e mulheres nem sempre são tão fluidos quanto gostaríamos. E não é apenas devido aos estereótipos sociais que ainda existem. Também pode haver uma causa biológica mais profunda para a qual, após um certo tempo, alguns homens parecem “desconectar-se” do discurso da mulher. Um estudo realizado na Universidade de Sheffield indica que essa desconexão pode ser devido ao fato de que os cérebros dos homens processam as vozes femininas de forma diferente.

O cérebro dos homens não “sintoniza” bem para ouvir a voz feminina

Os neurocientistas recrutaram 12 homens, que passaram por exames cerebrais enquanto ouviam vozes masculinas e femininas. Eles descobriram que existem diferenças na forma como o cérebro interpreta os dois sons. A voz masculina ativa áreas posteriores do cérebro, enquanto a voz feminina ativa diretamente a área auditiva.

Especificamente, quando o homem ouve uma voz feminina, o giro temporal anterior superior direito é ativado, uma área complexa que lida não apenas com o processamento de sons e suas variações de frequência, mas também desempenha um papel vital na cognição social e tem uma conexão direta com a amígdala e o córtex pré-frontal.

Em outras palavras, essa região do cérebro não é apenas responsável por analisar diferentes sons e interpretar o significado das palavras, mas também tenta decifrar outros detalhes relacionados à pessoa que fala.

De fato, os pesquisadores explicam que as vozes representam um estímulo muito poderoso para o cérebro, porque através delas não apenas reconhecemos o gênero de uma pessoa, mas também tentamos imaginar sua aparência, idade e outros detalhes que nos dão mais informações sobre quem está falando. Processar uma voz é um processo muito mais complicado do que a maioria das pessoas pensa.

Isso é agravado pelo fato de que a voz feminina é mais complexa que a voz masculina, devido às diferenças entre mulheres e homens no tamanho e na forma das cordas vocais e da laringe. Para piorar as coisas, as mulheres geralmente têm uma voz mais melódica. Em resumo: elas falam com uma gama mais complexa de frequências sonoras que sujeita o cérebro masculino a uma carga cognitiva maior.

O que acontece no cérebro de um homem quando ele ouve uma voz masculina?

Ouvir a voz masculina ativa outra área do cérebro: o precuneus, que é onde as imagens relacionadas ao “eu” são processadas e as características próprias são comparadas com as de outras pessoas. Na prática, o que o cérebro masculino faz ao escutar a voz de outro homem é compará-la com as experiências que eles mesmos tiveram e com suas características, o que lhes permite processá-la de maneira mais rápida e fácil. É como se a voz masculina fosse processada através de um “atalho” do cérebro.

Essas diferenças no processamento de vozes podem explicar porque, quando as pessoas sofrem alucinações auditivas, geralmente ouvem vozes masculinas. Na prática, a voz feminina seria muito complexa para o cérebro criar uma fictícia.

Efeito coquetel: A arma secreta do cérebro para seguir o fio de uma conversa em meio ao barulho
Antes que os homens tenham uma desculpa científica para “desconectar-se” do discurso feminino, é importante saber que o giro temporal superior direito anterior é também uma chave para ativar que é conhecido como “efeito coquetel”.

Este é um fenômeno que todos nós já vivemos: quando estamos em uma festa ou em um lugar movimentado, onde somos bombardeados muitos estímulos auditivos, esta área do cérebro é ativada para permitir que concentremos nossa atenção auditiva em um estímulo particular, ignorando o resto. É por isso que podemos nos concentrar em uma conversa: nosso cérebro “sintoniza” em uma só voz e “desconecta” o resto.

O “efeito coquetel” é o mesmo fenômeno pelo qual, quando muitas pessoas estão falando sobre nós, somos capazes de compreender certas palavras, como o nosso nome ou palavras que são significativas para nós, embora não possamos ouvir totalmente todo o discurso.

Fontes: Vander Ghinst, M. Et. Al. (2016) Left Superior Temporal Gyrus Is Coupled to Attended Speech in a Cocktail-Party Auditory Scene. J Neurosci; 36(5): 1596–1606.
Bigler, E. D. et. Al. (2007) Superior Temporal Gyrus, Language Function, and Autism. Developmental Neuropsychology; 31(2): 217-238.
Sokhi, D. S. et. Al. (2005) Male and female voices activate distinct regions in the male brain. Neuroimage; 27(3): 572-578.
Lou, H. C. et. Al. (2004) Parietal cortex and representation of the mental Self. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America; 101(17): 6827–6832.
Kjaer, T. W. et. Al. (2002) Reflective self-awareness and conscious states: PET evidence for a common midline parietofrontal core. NeuroImage; 17(2): 1080–1086.

(Link original: rinconpsicologia)
*Traduzido e adaptado por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

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