Um pouco de estresse pode fortalecer a memória e a criatividade, mas, depois de uma situação prolongada, o cenário mental reage não satisfatoriamente.

De pequenas a grandes situações, estamos sempre expostos a emoções que podem ser estressantes: o primeiro beijo, o trânsito cheio, a queda de um avião, o boletim do filho… Tudo isso é arquivado facilmente. Nesse caso, podemos pensar que o estresse pode melhorar a memória e, quando somos impulsionados a buscar solução para uma situação de conflito, podemos dizer que esse estresse é benéfico porque aumenta a criatividade.

Situação oposta também pode acontecer quando a carga emocional do estresse é tão forte que pode produzir uma amnésia ou uma total incapacidade de reagir, como em alguns casos de abuso sexual, sequestro ou catástrofes.

Para estudiosos do fenômeno essa dicotomia é bastante comum. O estresse melhora algumas funções psíquicas e condições emocionais em certas circunstâncias e as atrapalha em outras: situações estressantes leves e moderadas melhoram a cognição e a memória, enquanto as fortes ou prolongadas prejudicam essas capacidades.

Uma dicotomia importante é entre as memórias de curto e as de longo prazo. Com a primeira, lemos um número de telefone, discamos imediatamente e depois ele se perde para sempre. Já a memória de longo prazo é a que usamos para saber onde fizemos a faculdade, em que restaurante fomos domingo passado, quantos filhos temos, entre tantas referências que temos de nós em relação a nossa vida e ao mundo em que vivemos.

Outra distinção importante é entre memória explícita e implícita. A primeira se refere a fatos e eventos e à percepção consciente de sabê-los, como, por exemplo, o meu sexo, o dia da semana, o meu endereço. Já a memória implícita ou processual está relacionada com habilidades e hábitos em que não temos que pensar conscientemente para viabilizá-los, como mudar as marchas do carro, andar de bicicleta, dançar, entre outros.

Assim como existem diferentes tipos de memória, áreas diferentes do cérebro estão envolvidas no armazenamento e na recuperação de informações. São as redes neuronais em suas sinapses que vão desencadeando a liberação de mensageiros químicos, os neurotransmissores.

Uma simples situação estressante pode alterar a química do organismo e mudar todo o curso natural da memória. O estresse prolongado inibe o nascimento de novos neurônios num único lugar do cérebro onde isso é possível no organismo adulto. Quando o estresse cessa, a neurogênese se recupera.

Há mais ou menos 50 anos consideramos que úlcera, pressão sanguínea ou vida sexual são sensíveis ao estresse. Hoje também reconhecemos o quanto ele interfere em nosso aprendizado e em quase tudo da nossa vida. Vale refletir sobre nossas escolhas no dia a dia e optar por maior qualidade de vida. Evitar situações de estresses prolongados nos deixará mais equilibrados e saudáveis de corpo e mente.

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Sônia Eustáquia
Colunista da Revista Atrevida cerca de 6 anos, tem formação e trabalho em Psicanálise e Terapia Ericsoniana. Pós-graduada em Metodologia do Ensino Superior, Psicologia e Psiquiatria da Infância e Adolescência, Neuropsicologia e Teologia. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

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