Acontece. Você está lá no meio do trânsito e, de repente, começa a imaginar que está de férias numa praia paradisíaca com sua família. Você está estudando e quando menos espera seu pensamento foi para outra realidade bem distante e você nem ao menos sabe por quanto tempo está ali “viajando”. Ou ainda, antes de dormir você começa a criar estórias na sua cabeça, com personagens, falas e cenário. Quem nunca?

Imaginar, sonhar acordado, inventar situações que você gostaria que acontecessem é absolutamente comum. Mais do que comum. É gostoso.

Nos sentimos roteiristas de filmes, autores de novelas, contadores de estórias… É um momento que a criatividade rola solta, que a liberdade para pensar é de fato exercida, que as amarras sociais são esquecidas. Afinal, você pode pensar o que quiser que ninguém nunca saberá se não quiser compartilhar.

Desta forma, fantasiamos com o que não temos e gostaríamos de ter, com o que não somos e gostaríamos de ser e até com situações que temos medo que aconteça – as fantasias também podem ser frustrantes, apesar de serem mais raras.

Um dos pontos positivos das pessoas que gostam de fantasiar é que esse movimento pode suprir certa lacuna da vida afetiva, social, profissional e, com isto, gerar uma motivação para alcançar os sonhos planejados.

Entretanto, existem as pessoas que parecem viver numa realidade à parte (e não estou me referindo aos portadores de transtornos mentais). São pessoas que realmente gostam de estar na companhia dos próprios pensamentos, só que o tempo todo.

Leia mais: Transformando sonhos em realidade!

A fantasia excessiva funciona como um mecanismo de defesa que proporciona uma satisfação ilusória. Por exemplo, ao entrar na puberdade é comum que os adolescentes comecem a imaginar sobre a experiência de ter um namorado, sobre como será a primeira relação sexual… Mas alguns levam as fantasias tão a sério, que se alimentam delas e se fecham para o mundo real. Começam a acreditar que elas são melhores do que encarar o futuro parceiro, pois têm o controle da estória que criam e não precisam sair da zona de conforto.

Ou seja, esses adolescentes passam a se satisfazerem apenas com as fantasias, o que dificulta a vivência dos relacionamentos reais.

O desenho “O fantástico mundo de Bob” que passava na década de 1990 fala disso. Um garoto de 4 anos de idade que fantasia sobre tudo e todos. Ele cria cenas mirabolantes na tentativa de interpretar o mundo que está conhecendo. Por sinal, é um desenho que vale a pena pela originalidade e criatividade.

Leia mais: Que tal pôr os pés no chão?

Para uma criança, as fantasias são muito saudáveis; ajudam na elaboração da vida em sociedade. Para os demais, é saudável só até certo ponto.

Se você acha que as suas constantes fantasias podem estar te atrapalhando em algum ponto, procure ajuda profissional. Nossos pensamentos são os ingredientes para criarmos nosso mundo. Que mundo você quer construir?

Compartilhar

RECOMENDAMOS


Rosa Abaliac
Psicóloga e mestre em Psicologia Social. É colunista do site Fãs da Psicanálise.

16 COMENTÁRIOS

  1. Gosto de fantasiar quando vou criar alguma obra de ficção, mas quando fantasio com minha própria vida muitas vezes me causa grande frustração, fantasiar com coisas q vc nunca vai fazer e ser; e pessoas q nunca vai ter começam prazerosas e terminam dolorosas. xD

  2. Eu vivo assim, fantansiando, criando o tempo todo. Quando volto a realidade, a frustração é mto grande, a sensação de angústia e tristeza tomam conta de mim.

  3. Eu vivo fantasiando todo tempo, qndo eu ouço música então… aí eh q eu viajo msm e me fecho, qndo Caiu na realidade de q minha vida não é a Fantasia q eu penso tanto eu fico triste mas aí volto a pensar de novo para não ficar pior.

  4. Viver no mundo da fantasia, ou aceitar a realidade?

    Embora na ficção a esperança seja a ultima que morre…
    Como o sofrimento emocional costuma ser a diferença entre os nossos sonhos e a realidade.
    Alguns, por serem psicologicamente fracos, ou ter um cérebro fantasioso, se agarram nas fantasias que ajudam superar a realidade da vida, e fazem isso de tal forma, que a mente do cidadão termina fabricando um mundo virtual.

    Apesar da vida ser uma “Escola”, e o sofrimento ser uma lição, um alerta de que algo está errado, e uma oportunidade para amadurecer.
    Pois psicologicamente falando, quem muito sofreu muito aprendeu…
    Alguns, por não conseguir discutir os problemas relacionados com o termino da vida, fabricam alguma realidade alternativa, onde eles fingem encontrar conforto…

    Como tudo o que você faz um dia retorna para você.
    E o presente é um reflexo do que fizemos no passado…
    Se existe algo no seu passado que o incomoda, não será possível mudar o passado, porem pode haver a possibilidade de mudar o futuro…

    Resumindo, como o cérebro do fundamentalista não tem capacidade de conviver com a realidade, mesmo perdendo o controle das forças que agem sobre ele, o individuo fabrica ilusões confortáveis, e se agarra no que finge acreditar…
    Corrija um individuo agnóstico, e ele ficará mais sábio, e agradecido.
    Corrija um religioso fundamentalista, e você não o convencerá, e ainda ganhará um inimigo.
    .

  5. Vivo Criando fatasias,com meu dia a dia,Onde todos sao meus amigos,todos gostam de mim,mas quando volto pra realidade,da uma angustia e uma tristeza,que prefiro voltar pros meus pensamentos.

  6. Eu faço muito isso e sinto que está me fazendo muito mal,pois quando olho para a realidade e vejo que nada do que imagino é real ,tento parar , mas até uma música serve de aspiração. As vezes acho que não vivo bem a realidade por causa disso, acredito que sonhar é bom, agora ficar obssecado em algo como eu fico só atrapalha a minha própria vida , não consigo as vezes suportar o real , é como uma droga, no início da prazer ,uma sensação muito boa,mais depois eu acordo pra realidade.

  7. Gosto de criar varias fantasias de mundo diferentes. Pensando como seria viver em tempos ou realidades diferentes. Mas isso não me afeta negativamente. Nosso mundo e uma bosta, porem e o que temos por hoje. kkkkkkk

  8. Desde pequena passei a fantasiar com outra vida, eu sempre fui muito presa então passei a usar minha imaginação para poder viver.
    E é isso que sinto que não me deixa ser completamente feliz, viver algo que não é meu, algo que nunca vou ter ou fazer porque começou ser extremamente irreal.
    Estou prestes a completar 28 anos e tenho medo que nunca seja completa ou viva buscando fantasiar coisas irreais pra fugir do meu cenário atual que é deprimente.
    😢

    • Nossa eu também estou com esse problema de viver parte imaginando. O meu caso é que também sempre fui muito presa. Preste a completar 19 anos …. creio que isso seja algum problema psicológico de escapismo. Pretendo me livrar disto, pois noto que isso é um empecilho para o meu crescimento

  9. Eu criei uma pessoa na minha cabeça quando eu tinha 16 anos. Hoje eu tenho 38 e ele continua comigo, nos meus pensamentos. Não me atrapalha, nem me impede de viver, mas com ele é difícil olhar para as pessoas da vida real. As vezes fico meses sem pensar nele, outras vezes fico com ele 24 horas no pensamento. Chego a sonhar com ele! Eu criei cada detalhe do corpo, rosto e personalidade dele. Acho que pensarei nele até morrer.

    • Nossa achei surpreendente e assustador ao mesmo tempo!
      Porque ao ler a pesquisa eu me identifiquem muito em tudo o que foi dito na pesquisa.
      Eu estava pensando que eu fosse louca em pesquisar sobre isso, porque pensem não que havia algo assim, mas ao ver os comentários eu pude perceber que muitas outras pessoas também passam por esse mesmo problema!
      Obrigada por nos esclarecer sobre isso o que estamos passando, mas como fazemos para conseguir parar?

  10. Eu fantasio muito, e quando tenho q voltar pra realidade é difícil pra mim, não tem um dia em que escuto uma música e não fantasie algo é MT bom, mas por outro lado acho q isso me afeta, por fantasiar coisas q não aconteceram isso me deixa mt para baixo.

  11. uuhhhh
    vivo no mundo imaginário
    passo o dia fantasiando coisas que nunca vão acontecer
    tenho um mundo imaginário onde tudo ocorre da maneira que eu gostaria que fosse na vida real
    onde existe uma vida paralela
    adquiro diversas personalidades de acordo com meu humor, (talvez depois eu venha e apague esse comentário)
    ate minha garota que e virtual e esta sempre nos meus pensamentos
    tenho como algo real que esta comigo
    dentre outras coisas.

  12. Quem está lendo em 2019?
    Vim parar aqui pq pesquisei no Google e já estava me achando muito louca.
    Assim como a Ana Ribeiro, eu criei uma pessoa na minha mente, com todos os detalhes. A sensação é que eu a amava com todas as minhas forças. Os diálogos perfeitos, uma vida perfeita, imaginava o trabalho perfeito e até o comportamento da pessoa longe de mim (que tb era perfeito).
    Certo dia decidi que estava muito louca e que eu deveria abandonar essa fantasia. Mas eu sofri muito. Muito mesmo. A saudade da pessoa me corroía e ainda me corrói.
    Quero buscar ajuda, mas fico pensando: será que o psicólogo vai dizer coisas do tipo “tenho coisas mais importantes para resolver, ajudar”? Pq realmente isso parece ser muito idiota.
    Enfim, alguém aqui procurou ajuda? Se sim, como vc está agora?
    Que bom encontrar vcs e ver que ñ estou sozinha neste universo.

  13. bom, tenho 14 anos e no mês de maio farei 15. desde que me lembro eu sempre inventava historias, fantasias. podia ser através de algum livro que li, filme, ou acontecimentos da vida real.
    eu ficava (fico) horas parada ou fazendo algo mas pensando em determinada historia que criei, imaginado como seria se eu fizesse tal e tal coisa.

    eu crio tantas coisas que até assusta, minhas fantasias vão desde eu ser uma vampira, uma rainha bruxa, uma pessoa de outra dimensão e etc.

    isso sempre acontece quando leio algum livro, eu geralmente me imagino inserida dentro da historia, conversando com os personagens e mudando um pouco o rumo caso eu queria.

    ultimamente estou muito ligada a serie de livros Harry Potter, e esta me causando vários problemas, pois eu fico imaginando que irei para uma escola de bruxos e que sou uma, mas quando meus períodos de fantasia acaba eu percebo que isso não vai acontecer, e que no mundo real nada disso existe, por isso fico triste e me sinto vazia.
    também criei vários personagens em minha cabeça, colocando detalhes, personalidades, aparências.

    conforme os anos, fui criando uma espécie de lacuna que só se preenche com magias, e historias fantásticas, como se eu só pudesse ser feliz se eu me imaginasse em um mundo mágico.

    perdi vários anos da minha vida, pois enquanto amigos e familiares estavam comigo, eu simplesmente não estava lá, eu estava imersa em meus pensamentos e mundos fictícios, ocasionando na perca de vários dias da minha vida, as horas passavam e eu nem percebia.

    acho que isto ocorreu comigo pois eu sempre fui uma criança criativa, amava filmes e historias magicas.

    mas quando eu estava com 11 anos eu mudei de cidade, antes eu morava perto da minha avó materna na qual eu passava horas e horas brincando com minhas primas. a cidade era do lado da antiga mas não dava pra ir lá sempre.

    como eu comecei o sexto ano em uma escola diferente com pessoas diferentes, senti a necessidade de fingir ser quem não era; todos conheciam a Ellen engraçada, que sempre emprestava as coisas, vivia de fofoquinhas irrelevante com as amigas e etc. poderia ser o considerado normal, mas pra mim não, eu não era assim, eu estava perdendo a minha essência, por isso e por viver agora meus dias sozinha, sem primas sem casa da minha vó comecei a fantasiar. era uma maneira de me ver livre já que fiquei tanto tempo presa dentro de casa.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here