Quem vem à sua mente quando você ouve a palavra “sociopata”? Ted Bundy ou Jack, o Estripador, talvez? Estas são de fato representações icônicas do conceito. Mas são as versões mais extremas, dramáticas e óbvias de um sociopata.

Um fato que a maioria das pessoas nunca para pra pensar ou notar é a alta probabilidade de que cada comunidade, escola, empresa ou organização tenha um ou dois sociopatas.

O tipo de sociopata de que estamos falando é muito diferente de um serial killer. Este sociopata possivelmente nunca infringe uma lei e nunca foi preso. Ele é muito menos óbvio, mas muito mais comum.

Ele pode ser seu vizinho, seu irmão, sua mãe ou seu pai. Pode se esconder atrás de uma manicure perfeita, um excelente trabalhador, um voluntário que faz caridade ou um professor. A maioria das pessoas nunca pensaria nessa pessoa como um sociopata.

Na verdade, ele pode ter um carisma que atrai as pessoas para si. Pode ser admirado e parecer abnegado e bondoso para muitos. Mas, lá no fundo, ele não é como o resto de nós. Às vezes, ninguém consegue ver que algo está errado, exceto as pessoas mais próximas a ele. Muitas vezes seus filhos podem sentir isso, mas isso não significa que eles entendam isso.

Há uma característica principal que distingue os sociopatas do resto de nós. Esta única coisa pode ser expressa em uma palavra: consciência. Simplificando, um sociopata não sente culpa. Por causa disso, se sente livre para fazer praticamente qualquer coisa sem ter que pagar qualquer preço interno por isso. Um sociopata pode dizer ou fazer o que quiser e não se sentir mal no dia seguinte, nem nunca.

Junto com a falta de culpa, surge uma profunda falta de empatia. Para o sociopata, os sentimentos de outras pessoas são insignificantes porque ele não tem capacidade de senti-los. Na verdade, os sociopatas não sentem nada do jeito que o resto de nós sentem. Suas emoções operam sob um sistema muito diferente, que geralmente gira em torno de controlar os outros.

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Se o sociopata conseguir controlá-lo, pode sentir alguma simpatia por você. O outro lado da moeda é que, se ele falhar nisso, irá desprezá-lo. Ele usa meios desonestos para conseguir o que quer, e se isso não funcionar, ele vai intimidar. Se isso falhar, ele vai retaliar.

Não ter consciência libera o sociopata para usar qualquer meio desonesto para conseguir o que quer. Ele pode ser verbalmente implacável. Pode retratar falsamente as coisas. Pode distorcer as palavras dos outros para seus próprios propósitos. Pode culpar os outros quando as coisas dão errado. Não é necessário assumir seus erros porque é muito mais fácil culpar alguém.

4 sinais de que um pai ou mãe pode ser sociopata

– Ele prejudica emocionalmente os outros, incluindo seus filhos, repetidamente, muitas vezes parecendo fazê-lo de propósito.

– Depois de magoar outra pessoa, o pai ou mãe sociopata age como se isso nunca tivesse acontecido e espera ou exige que a pessoa magoada finja o mesmo.

– Ele mente ou distorce a verdade ou se faz de vítima em uma tentativa de negar ou desviar a responsabilidade.

– Manipula livremente as pessoas para conseguir o que quer.

A percepção de que sua mãe ou pai é um sociopata pode ser extremamente difícil e dolorosa. Aceitar que um de seus pais é um narcisista é bastante difícil, mas um pai ser sociopata está em um nível totalmente diferente.

A maioria dos filhos de sociopatas tenta desesperadamente racionalizar ou entender o mau comportamento de seus pais. Muitos podem ser bastante criativos na tentativa de explicar o inexplicável.

Aqui estão algumas das muitas desculpas que eu ouvi os filhos adultos de sociopatas inventarem para tentar entender os comportamentos ofensivos, dissimulados ou implacáveis de seus pais:

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“Ele tem ansiedade”

“Ela realmente não quer dizer isso”

“Algo está errado com o cérebro dela”

“Ele só se importa demais”

“Ela não pode evitar”

“Ele teve uma infância difícil”

Esses tipos de justificativas enganosas podem parecer reconfortantes para o filho adulto do sociopata no momento, mas, a longo prazo, são prejudiciais. Fingir que um pai ou mãe sociopata é bem-intencionado tem um preço muito alto. Mantém a criança desequilibrada, culpando-se e questionando seu próprio julgamento. Talvez ela até mesmo se sinta culpada por sua incapacidade de compreender ou agradar seus pais.

Mas o mais importante, não reconhecer seus pais por quem eles são mantém a criança vulnerável a suas manipulações e danos emocionais. E isso simplesmente não funcionará.

3 estratégias para lidar com pais sociopatas

O filho do sociopata deve aceitar que os sentimentos de seus pais não são como os dele. Sem capacidade de sentir culpa ou empatia, até mesmo a ideia deles de amor é anormal.

Saiba que não se pode confiar em um pai ou mãe sociopata para agir no melhor interesse de seu filho. É verdade que essa percepção vai contra todos nossos instintos humanos. Estamos preparados para sentir e acreditar que todos os pais amam e desejam o melhor para seus filhos. Infelizmente, no caso do pais sociopatas, isso simplesmente não é verdade.

Toda a culpa na relação dos pais sociopatas com o filho pertence a uma pessoa incapaz de senti-la: os pais. No entanto, é a criança que geralmente sofre sob o peso da culpa. Aceitar que o pai ou mãe é um sociopata libera a criança para se proteger quando necessário. As regras normais entre pais e filhos não se aplicam.

(Link original: psychcentral)
*Traduzido e adaptado por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

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5 COMENTÁRIOS

  1. Minha mãe é uma sociopata, é uma situação complicada e dolorosa. Meu pai sempre foi ausente, era o típico pai que alimentava mas não dava atenção aos filhos, porém ele era racional. Já minha mãe sempre teve desequilíbrio mental, segundo minha tia, isso ocorre desde que ela era pequena. Minha avó morreu de Alzheimer há poucos anos mas tinha uma personalidade intragável, igual a minha mãe. O caso da minha mãe, além de claramente ter traços de esquizofrenia, as características de sociopatia são idênticas. Ela é narcisista, mentirosa, se vitimiza, não tem nenhuma empatia, tem prazer em destratar as filhas, tem prazer em causar dor física e psicológica… Ela está me empurrando para um abismo, já não sei mais quanto tempo vou suportar

  2. Eu já venho pesquisando sobre psicopatas faz um tempo, esporadicamente. Já li o livro Mentes Perigosas da dr. Ana B. Barbosa Silva, por exemplo, além de ter visto alguns vídeos no YouTube, mas só hoje (19/02/2021) que me “caiu a ficha”, tive um insight de que minha mãe é psicopata, abusiva. É difícil perceber quando analisamos como a mãe nos trata, pois, de fato, parece que o erro é nosso; do filho ou da filha e de que a mãe faz o que faz para o nosso bem. Então, quem está em dúvida deve analisar como se sente, em vez de usar a empatia e entender a motivação de um psicopata, pois eles são como buracos negros; a luz que você lança não volta. Apesar de já ter analisado o comportamento dos meus pais eu não pude identificá-los como psicopatas, mas o que me deu provas de que minha mãe é psicopata, é o fato dela “fazer experimentos”, “deixar acontecer acidentes”. Por exemplo, lembrei-me de que quando eu era criança minha mãe deu para um filhote de gatinho uma semente de uma planta aqui de casa (que não existe mais) e o gato deve ter se engasgado e estava morrendo, então minha mãe me chamou para ver. Aí eu comecei a chorar e bati no gatinho chamando-o de bobo (por que você comeu isso?), o que fez com que ele cuspisse a semente e “ressuscitasse”. Também, lembrei de alguns acidentes que tive que ela provavelmente sabia que aconteceria e deixou que acontecesse, mas como eu sofri o acidente, senti que a culpa era minha. Aí ela cuidava de mim e fazia parecer que ela me amava. Ela é, sem dúvida, o Diabo em pessoa. Então, se você quer saber se seu pai ou sua mãe é psicopata, um fator que corrobora com o diagnóstico é o fato de você querer se matar ou que ela/ele a/o mate logo. Talvez já tenha passado pela sua cabeça o desejo de querer que ela/ele morra ou mesmo de matá-la/o, mas ao mesmo tempo a sensação de que precisa dela/e. Então, se seus sentimentos são paradoxais, provavelmente a pessoa que te faz sentir assim é provavelmente psicopata. Agora que escrevi esse comentário, tenho confiança no diagnóstico. O problema é que a recomendação é ficar longe, mas ela “quebra minhas pernas” ou “minhas asas” e não me deixa ter uma vida própria. Mas, pelo menos sei que ela não é digna de compreensão ou minha atenção e me livro da culpa de “não ser um bom filho” ou de não tratá-la como ela “merece”, e saber que não haverá reciprocidade: a regra de ouro e a de prata não funcionam.

  3. Esse texto descreve exatamente como é o meu Pai,sempre me sabotando,me colocando pra baixo,me chamando de incompetente,que eu não faço nada direito e ainda diz que vai comprar uma passagem só de ida pra determinado País,mas fala que está brincando(mentira dele,pois eu sei 100 por cento que não é brincadeira que é o que ele realmente deseja pra mim).Só que como ele ñ consegue me controlar ele me despreza,e como o outro comentário diz eu já pensei em matá-lo,mas daí penso que preciso dele.Ele é o psicopata total.Não sei até quando vou aguentar essa situação.Alguém me socorre. 🙁

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