Você é uma fraude? Cerca de 70% das pessoas fazem esta pergunta a si mesmas e respondem que sim, pelo menos uma vez na vida. Isto significa que sete entre dez já passaram pelo “fenômeno do impostor” e não se sentiram merecedoras de suas conquistas ou do reconhecimento que recebem. Esta experiência é mais comum entre mulheres consideradas eficientes, com alto desempenho. A atriz Emma Watson, que estrelou filmes da série Harry Potter e a Bela e a Fera, contou em entrevista que já se sentiu assim.

Os sintomas mais limitantes da síndrome do impostor costumam ser transitórios, ocorrendo apenas nas primeiras semanas em um novo emprego, por exemplo. Por outro lado, a crença de ser uma fraude pode acompanhar a pessoa ao longo da vida.

Sintomas da síndrome do impostor

Um dos sintomas é a preocupação de não corresponder às expectativas porque os colegas ou o chefe são muito exigentes. Costumam focar muito no trabalho e não se arriscam em tarefas que podem colocar em xeque suas habilidades.

Achar que é impostor gera um ciclo. Toda vez que consegue algo – uma promoção no trabalho, um emprego dos sonhos ou algo que represente sucesso – a pessoa se preocupa ainda mais, com medo de que descubram “a verdade” sobre suas habilidades e percebam que não merece a conquista. Por isso, vive uma luta interna entre alcançar o sucesso e não ser desmascarado. O resultado pode ser a autossabotagem que atrapalha o crescimento profissional.

E por falar nisso, quem se sente um impostor acha que todo sucesso conquistado é graças a fatores externos, e não à própria competência. Sorte ou acaso, e não porque fez bem feito. Outro sintoma é achar que precisa trabalhar mais que todo mundo, além de ter baixa auto-confiança e medo de fracassar.

Pessoas com a síndrome do impostor também tendem a não ser felizes no trabalho. Podem não se sentir desafiadas o suficiente, mas o medo de fracassar ou serem “flagradas” na fraude impede que busquem um emprego mais desafiador. E já que negam seu valor, também não conseguem pedir aumento de salário.

Tanto medo de fracassar e a necessidade de ser o melhor no que faz podem levar quem se acha impostor a superar expectativas. Por outro lado, a pessoa estabelece metas muito difíceis de serem cumpridas e fica frustrada quando não as alcança.

Leia Mais: Lições do mito de Apolo e como matar nosso “impostor interior”

Os 5 tipos de “impostores”
A psicóloga norte-americana Valerie Young, autora do livro “Os pensamentos secretos das mulheres de sucesso” e considerada especialista no tema, identificou cinco tipos de “impostores”.

1. Especialista
Só fica satisfeito e tranquilo para dizer que terminou algo se sentir que sabe tudo sobre aquilo. É difícil então concluir algo que começou.

2. Perfeccionista
Neste caso, é comum focar no que poderia ter feito melhor, em vez de comemorar o que fez bem. Geralmente fica insatisfeito com o trabalho que fez. É comum passar por altos níveis de ansiedade, dúvida e preocupação.

3. Gênio natural
Para essa pessoa, é fácil e rápido dominar uma nova habilidade, mas quando isso não acontece, pode se sentir envergonhada. Tem dificuldade para reconhecer que para chegar ao sucesso é preciso desenvolver habilidades ao longo da vida.

4. Solista
Este é o individualista. Prefere trabalhar sozinho e acredita que pedir ajuda revela que é incompetente. E se não pede, também costuma recusar, para provar o quanto vale.

5. Super-herói
Se destaca em todas as áreas porque se esforça muito. A sobrecarga de trabalho pode resultar em esgotamento e afetar a saúde física, o bem-estar mental e relacionamentos.

Como foi a sua infância?

Pesquisas têm observado que algumas questões vividas quando éramos crianças podem abrir portas para a síndrome do impostor. Se, na infância, você sentia que competia com aquele irmão ou primo considerado “o mais inteligente”, isso pode ter tido consequências. Na busca por reconhecimento, podem começar a surgir dúvidas sobre si mesmo. As conquistas parecem ser mero acaso, terreno propício para que a síndrome do impostor se instale.

Por outro lado, quando a criança ouve que é perfeita, superior, e capaz de fazer qualquer coisa, pode haver problemas depois. Afinal, a pessoa vai perceber, cedo ou tarde, que tem dificuldade em algo, apesar de continuar recebendo elogios da família por tudo que faz. O resultado é o olhar de desconfiança para esses elogios e o sentimento de ter que atender sempre às expectativas. Neste contexto, pode surgir a crença de ser um fraude.

Autoaceitação e resiliência

Embora a síndrome do impostor não esteja oficialmente listada no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), psicólogos e outros profissionais de saúde mental a reconhecem como uma forma muito real e específica de dúvidas sobre a personalidade intelectual. Sentimentos de impostores são geralmente acompanhados de ansiedade e, muitas vezes, depressão.

Esses mesmos profissionais apontam a autoaceitação como fundamental para superar a sensação de não merecimento das próprias conquistas. Quando as coisas dão errado, saber ser gentil consigo mesmo ao invés de só enxergar as falhas aumenta a resiliência e o bem-estar.

Melhor do que acreditar não ser merecedor do sucesso é lembrar que todos melhoram e aprendem com o tempo. Afinal, para ser competente você não precisa saber tudo.

(Autora: Letícia Brito)

(Fonte: meucerebro)

*Via nossa página parceira.

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