Neste momento em que escrevo, estou praticamente plantando bananeira na minha cama. E isso não se deve a um impulso acrobata.

Não, não, não, [email protected] Estou vendo o mundo de cabeça para baixo porque essa é a única posição em que posso ficar sem que o meu útero me faça urrar de dor.

Ontem foi pior: eu tinha que ficar em uma posição fetal e puxando os cabelos porque eu precisava sentir uma outra dor que me fizesse esquecer da motosserra que parecia estar dilacerando o meu ventre.

Muitos homens diriam que isso é exagero, e até mesmo algumas mulheres não conseguem se colocar no meu lugar, mas se você, amiga, sente cólicas fortes ou outros sintomas desesperadores quando está menstruada, você entende o que eu quero dizer quando falo que a menstruação parece ser um expresso pro inferno.

Outro dia, uma amiga me aconselhava a sentir com serenidade as oscilações de contração e relaxamento do útero, para me sentir conectada com a minha “natureza feminina”. Porém, enquanto ela falava, eu ironicamente sorria e só conseguia pensar em mandá-la carinhosamente para aquele lugar.

Ela é sortuda de ter cólicas leves, mas eu, antes de vir para a Terra, provavelmente fui colocada na fila daquelas que iriam trazer para este planeta a prova de que o capeta existe.

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E não basta ter cólicas insuportáveis: ainda por cima, eu tenho enjoo, enxaqueca, ondas de calor e dores pelo corpo inteiro, como se eu tivesse levado uma surra de cinto. Desde os 10 anos é assim, esperando pela minha visita indesejada que, muitas vezes, já me fez até ir parar no hospital.

Olhando para o passado, fico pensando no quão sarcásticas deveriam ter sido as minhas tias quando me deram parabéns por eu ter ficado menstruada, por ter “me tornado mulher”. Sinceramente: quando eu soube que a minha sobrinha mais velha tinha menstruado, tudo o que eu consegui pensar foi “Meus pêsames”.

Perdão se eu não tenho uma visão romântica da coisa, mas tudo me parece extremamente traumático. Aliás, como explicar para uma criança que, a partir daquele momento, todo mês um órgão dentro dela irá descamar e expelir sangue?

Quando estou menstruada, sempre olho para os céus e pergunto “Senhor, por que me abandonaste?”. Brincadeirinha. Na verdade, eu pergunto ao universo porque é preciso passar por isso.

Os homens estão aí, cheios de fertilidade e sem dor nenhuma. Então por que a fertilidade das mulheres precisa envolver acontecimentos tão inconvenientes? Sinceramente, a natureza tem sofisticação suficiente e poderia ter pensado em uma logística melhor para o corpo feminino.

Deveria haver uma maneira mais fácil de regenerar o útero. A pele, por exemplo, se regenera e nem por isso a gente fica colocando sangue pelos poros. Cabelo cresce e também não acontece nada. Francamente, natureza, eu esperava mais de você.

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Os mais religiosos irão dizer que a culpa é da Eva, por ter comido a maçã e, a partir disso, supostamente ter tido que arcar com as dores do parto e os infortúnios da menstruação – Eva e todas as mulheres.

E aí vem a pergunta que não quer calar: se foi a Eva quem comeu a maçã, o que eu tenho a ver com isso? O que todas as outras mulheres do mundo têm a ver com isso? Cadê a justiça divina?

Independentemente da má vontade da natureza ou do sistema jurídico celestial, o fato é que, a cada mês, além dos infortúnios já citados, me sinto como um bebê andando de fraldas por ai.

Não consigo usar absorventes internos, porque – me julguem – não me sinto segura. Quando estou andando, sempre tenho a impressão de que aquele negócio vai escorregando. Talvez eu nunca tenha colocado direito – o que eu acho difícil, porque já foram várias tentativas – e aí prefiro usar o externo, que não é lá muito prático.

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Na verdade, a menstruação em si não é nada prática. Além da conta infinita da farmácia, vem o fato de que, mesmo com o Rocky Balboa dando socos aí dentro, por fora você precisa continuar calma e serena.

Se manifesta algum desequilíbrio emocional ou se apenas cogita a possibilidade de terminar um trabalho em casa, para evitar desgastes de humor desnecessários, você é taxada de preguiçosa, de fraca ou de exagerada. Ninguém, a não ser outra mulher igualmente sofrida, entende aquilo pelo qual você está passando.

Com o tempo, você até consegue criar uma resistência: a dor vem e acaba com você, mas alguém aparece e você refaz o sorriso como se “nada” estivesse acontecendo.

Agora, depois das doses cavalares de anti-inflamatório, posso finalmente voltar a sentar como uma pessoa fina e civilizada. Irei agir como se nada tivesse acontecido, tentarei consertar os desastres causados pela minha TPM da semana passada – que será pauta para outro texto – e vou ter esperanças de que o próximo momento de acrobacia irá demorar para chegar.

Via nossa página parceira: Lado M
Autora: Ana Paula Souza
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6 COMENTÁRIOS

  1. Ana Paula, compreendo perfeitamente o que sente nesse período. Eu também sofro pra caramba. Brinco aqui em casa com o marido e filhos que “estou só o pó da rabiola”. Em outras palavras, só o caquinho, despedaçada. É uma época medonha pra mim. Nem o Buscofem resolve de tudo. Ele atenua a dor, mas não a elimina por completo, além disso fico parecendo um zumbi, com sono, prostrada o dia inteiro. Não dou conta de fazer quase nada. Até respirar parece difícil nesses dias. Minha cólica é nível “hard”e também sinto TODOS OS PROBLEMA MISTURADOS: aquela vontade de vomitar constante, uma enxaqueca do cão (cão tem enxaqueca?), um calorão , dores nas pernas, nos seios, nas costas, fraqueza, minhas pálpebras parecem que carregam tijolos de tão pesadas, fico parecendo o “MunHA” dos Thundercats, de tão feia, o cabelo fica seco, a pele sem viço, sinto muito tontura, dor anal (talvez possa ser endometriose retovaginal), fico depressiva, o tico e o teco não batem bem, mal estar estomacal, um descontrole alimentar maluco: ao mesmo tempo em que quero comer tudo, não quero comer nada, a barriga fica inchada então não sei se estou ou não com fome, às vezes dispenso trabalho porque fica impossível sair de casa. Enfim, é sofrido demais! Ah, sobre o uso do absorvente, eu estou usando há um tempo aquele copinho de silicone: o Inciclo. Já usei o externo, o interno descartável, mas me encontrei no Inciclo. E também tenho pensado seriamente em colocar o contraceptivo DIU-MIRENA, com o fim de acabar de vez com esse “monstro do lago Ness”. Tenho dois casos próximos de “estiagem” da menstruação com o uso do mesmo: minha irmã e uma amiga. Ambas dizem estar muito felizes com o Mirena, pois não menstruam mais e, portanto, não sentem todo o desconforto da TPM e todas as dores e mal estar dos dias de sangramento. Mas confesso que fico meio resistente para colocá-lo, porque queira ou não é um anticoncepcional. Não gostaria de ter hormônios sintéticos sendo liberados no meu corpo…Então isso não me agrada muito. Além disso, não é toda mulher que para de menstruar ou que se dá bem com o Mirena. E é caro, eu acho. Se bem que, se acabar de vez com a menstruação, é de graça!!! rsrsrs Vamos ver…

  2. No momento estou muito mal …com todas as dores possíveis e imaginárias. …minha barriga tá inchada e trabalhei mesmo assim a base de remedios ……Estou revoltada e triste….Sem vontade de nada , muita dor…..Esse texto sou eu hj. Deus me de força.

  3. Boa tarde, compreendo pq já passei mal algumas vezes, é possível q seja Endometriose, se for diagnosticado basta fazer uma vídeo e tudo se resolve, fiz na semana passada e já estou ótima, melhoras p/ vc 😉

  4. Hare Om, minha dica é vc procurar um TERAPEUTA AYURVEDA. Tenho certeza que vc se sentir muito melhor, quase sem dor. Dê essa chance pra vc. Namastê.

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