A capacidade para mudar é uma competência comportamental estratégica na vida em geral.

Estar aberto ao novo, aceitar mudanças, requer de nós disponibilidade para o novo, temos que abandonar nossas velhas identidades e nos abrir para o desconhecido!

Na maioria das vezes resistimos às mudanças porque elas nos demandam esforço e consciência para olhar de frente, olhar abrir espaço para o novo o que muitas vezes preferíamos não ver.

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Na nossa construção diária rumo a um ser melhor, estar aberto ao novo é uma competência fundamental. Para isso precisamos ativar o nosso arquétipo do destruidor, pois o apego a paradigmas ultrapassados é uma das mais fortes barreiras à mudança.

Os arquétipos na realidade são papéis, que configuram segundo Jung “uma herança psicológica, instigando formas determinadas de se expressar ao longo da jornada”. Aqui vamos nos ater ao arquétipo do destruidor, fundamental para nossa metamorfose e para nossa transformação! Pois é através dele que conseguimos abrir espaço para o novo, revisando sempre o que não precisamos mais, seja material, seja comportamental ou emocional…

Nesse momento vamos parar um pouco para refletir: o que não mais é compatível comigo no momento atual? O que não é mais necessário nessa etapa da minha vida?

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Vamos listar tudo o que lembramos, vamos fazer uma varredura mental de objetos, vestimentas, elementos, utensílios, crenças, valores e hábitos. Depois de listar tudo, vamos separar o que for material que esteja contido na lista e vamos nos propor a doar, ou jogar fora, se não está mais em condições de uso, ou até mesmo remodelar, transformar.

Agora passe para o que não é material da sua lista e faça os planejamentos concretos de mudança, jogando fora o que não mais é necessário para seu momento e repondo tudo aquilo que é coerente hoje com sua vida.

A história de Soichiro Honda me inspira quando penso em mudança, abertura ao novo, exemplo de superação e empreendedorismo.

Honda quando ainda estava na escola pegou tudo que tinha e investiu numa pequena oficina, onde começou a desenvolver o seu conceito de anel de pistão, pois queria vender seu trabalho a Toyota Corporation e, por isso trabalhou dia e noite. Chegou inclusive a penhorar bens para permanecer no negócio. Quando ele terminou e apresentou o projeto foi rejeitado pela Toyota.

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Mas Soichiro não desistiu! Persistiu e após mais dois anos a Toyota deu a ele o contrato que ele sonhava. Surgiu então um novo problema, pois o governo japonês se preparava para guerra e negou a Honda o concreto de que ele precisava para construir a fábrica.

Mais uma vez, Honda decidiu utilizar a experiência e desenvolveu outra estratégia: ele e sua equipe inventaram o processo para fabricar o seu próprio concreto e a fábrica foi construída! Mas, durante a guerra, ela foi bombardeada duas vezes, ficando destruída grande parte das Instalações. Finalmente, após sobreviver a tudo isso, um terremoto arrasou a fábrica.

Depois da guerra, uma enorme escassez de gasolina atingiu o Japão, Honda não podia nem se quer sair no seu carro para comprar comida para a família. Em desespero adaptou um pequeno motor a sua bicicleta, o que resultou numa encomenda de outras iguais.

Como não tinha capital, resolveu apelar para os 18.000 proprietários de lojas de bicicletas no Japão, escrevendo a cada um deles uma carta pessoal. Convenceu 5000 comerciantes a adiantar o capital de que necessitava. Tornou-se um sucesso e valeu uma recompensa do Imperador! Mais tarde passou a exportar suas motos para Europa, Estados Unidos…

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A Honda Corporation se tornou esse império graças a perseverança e abertura ao novo do seu idealizador. Estar aberto ao novo é fator de sobrevivência. Acreditar em nós mesmos apesar de muitas dificuldades é o caminho da realização.

Porque nós não podemos fazer como Soichiro Honda ou como tantos outros que nessa jornada da vida partem da dificuldade para superação?

Essa importante reflexão do livro “O Amor que Acende a Lua”, de Rubem Alves, pode ajudar na decisão:

Transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação que devem passar os homens para que eles venham a ser quem devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.

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Pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa. Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.

Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.

O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: dor.

Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão – sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E, com isso, a possibilidade da grande transformação.

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Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesmo. Ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada.

A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: PUM! – E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente que ela mesma nunca havia sonhado.
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Bom, mas ainda temos o piruá que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito que elas são.

A presunção e o medo são a dura casca de milho que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo

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E as suas mudanças? Estão acontecendo? Cuidado para não ficar piruá em muitas situações…

Então, porque não começarmos hoje?

Grande abraço!

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Isabel Rios Piñeiro
Apaixonada por ajudar cada pessoa na sua metamorfose em um ser mais saudável, próspero e feliz! É colunista do site Fãs da Psicanálise.




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