Eu cresci em uma geração que foi bombardeada por princesas da Disney. Elas já existem desde os anos de 1920, mas a mídia as popularizou. Seus longos vestidos, seus belos e longos cabelos, seu talento inegável para a música e qualquer outra coisa que desejavam fazer e seus príncipes perfeitos.

A sinopse de qualquer conto era a mesma: uma mulher vivendo sua vida, em alguns casos miseravelmente, até encontrar um homem fantástico, belo, rico e que imediatamente se apaixona por ela. Eles se casam e vivem felizes para sempre. Que sonho!

As princesas são apenas um dos símbolos do estouro da ideia do amor romântico. Presente nas poesias e literatura desde o século XIV, nunca antes ele fora tão cultuado. Vinha como uma perspectiva mais bela do que a do casamento pelo contrato social. Junto com a reconstrução do “amor” (enquanto requisito para um casamento), vieram outras proposições: a musa, o homem ideal, as manifestações públicas de afeto, o ritual de sedução. Em minha opinião, a pior delas é que há apenas uma pessoa no mundo destinada a você e que depois dela, não há mais ninguém. Pode até ser bonito nos romances, mas quando essa ideia se instala no nosso inconsciente é difícil de arrancar.

Quando um relacionamento termina unilateralmente, fica a sensação de qualquer pessoa que aparece depois não é boa o suficiente. Alguns decidem, que vão investir em uma nova relação, mas alguns não conseguem. Àqueles que entram em uma relação após a outra e não criam vínculos. Uns dizem que tem “azar no amor”, outros que “já amaram uma vez e não dá para amar de novo”.

O primeiro motivo para isso é buscar a mesma sensação que foi vivida no relacionamento anterior. O frio no estômago, a química, o companheirismo. Alguns tendem a repetir os mesmos hábitos! Tendem a comparar o parceiro atual com o antigo e decidir, por isso, se ele é o ideal. A questão é que como são pessoas diferentes, causarão sensações diferentes, então jamais será igual. Se o parceiro antigo tem o título de “amor da vida”, logo tudo o que novo causar será inferior.

O segundo motivo tem a ver com expectativas. Se a relação anterior terminou contra sua vontade, muitas coisas ficaram inacabadas e planos foram interrompidos. Nem sempre de maneira intencional, espera-se que a nova relação assuma os planos e continue o fluxo anterior. Como se o personagem fosse o mesmo, mas o ator mudou (isso acontece nos filmes e na televisão, então porque não na vida real).

No entanto, por se tratar de uma vinculação nova, não é possível que isso se realize. Trata-se de alguém novo que tem sonhos e personalidades diferente.

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O terceiro motivo é a romantização do relacionamento que acabou. Em uma relação, coisas boas e ruins acontecem. Aspectos do outro encantam e outros simplesmente causam raiva ou repulsa. As últimas são relevadas pelo amor, entre outras coisas. Porém, quando alguém termina e isso não é desejo do outro, tudo que foi vivenciado parece mágico, preso pela interrupção. As memórias negativas se perdem e de repente, parecia que existia uma conexão perfeita. Tudo de ruim é esquecido e só se valorizam os aspectos positivos. O ex, de repente, vira o príncipe.

O quarto motivo é esperar que a relação acabada continue. Nesse grupo residem os que ligam incessantemente, mandam mensagens, escrevem depoimentos, ligam pra familiares e amigos, perseguem e até matam. Para elas o relacionamento não acabou. São vítimas de agentes externos, outros homens, outras mulheres, a família, que prejudicaram a eternidade do seu amor e insistem, a todo custo, que ele seja retomado. Não estou dizendo que todo relação que acabou não possa ser retomada. Aponto apenas que o desejo de retomar algo, não significa que isso vai acontecer.

Quando se espera que o novo amor seja igual ao outro, há frustração. Isso não vai acontecer. Será uma relação diferente, portanto um sentimento diferente pode se desenvolver. Um amor com novas rotinas, hábitos, costumes, sonhos. A comparação com algo que acabou pode prejudicar e até impedir que algo aconteça. Existem pessoas que nunca conseguem ter relações saudáveis e duradouras porque insistem em repetir as antigas.

Não cabe a mim afirmar se existem ou não almas gêmeas, amores eternos ou algo assim. Essa é uma crença muito pessoal. Afirmo apenas que não existem príncipes, sapos ou princesas (além daqueles das monarquias). Existem pessoas. Que amam e deixam de amar. E outras que amam e não foram mais amadas. Caso esse último tenha sido o seu caso, isso não significa o fim do amor, apenas o término daquele amor e a possibilidade de um novo.

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