Bess Myerson escreveu certa vez que “apaixonar-se é muito simples, mas deixar de amar é simplesmente horrível”. Especialmente se você é quem queria que o relacionamento durasse. Consertar um coração partido nunca é fácil. Não há maneira rápida de impedir que seu coração sofra tanto.

Parar de amar não é uma opção. O autor Henri Nouwen escreveu: “Quando aqueles que você ama profundamente rejeitam, deixam-no ou morrem, seu coração será partido. Mas isso não deve impedi-lo de amar profundamente. A dor que vem do amor profundo torna seu amor ainda mais frutífero”.

Mas como vamos além da dor? Aqui estão 10 dicas que reuni de especialistas e de conversas com amigos sobre como eles remendaram seus corações e tentaram, de forma gradual, seguir em frente.

1. Passe por isso, não em volta disso

Percebo que a tarefa mais difícil para uma pessoa com um coração partido é ficar quieta e sentir a dor. Mas isso é exatamente o que ela deve fazer. Porque não existe nenhum atalho sem sua cota de dificuldades. Aqui está um fato simples: você precisa passar pelo luto para seguir em frente. Durante os 18 meses de minha depressão severa, meu terapeuta repetiu quase todas as sessões: “Passe por isso. Não em volta disso.” Porque se eu desse voltas ao redor das questões que estavam me destruindo por dentro, então eu iria esbarrar nelas em algum momento no futuro, como se estivesse presa no centro de uma rotatória. Ao passar pela dor intensa, eu finalmente emergi como uma pessoa mais forte, pronta para enfrentar os problemas de cabeça erguida. Logo a dor perdeu sua força sobre mim.

2. Desapegue-se e aproveite sua independência novamente

Tentar preencher o vazio sozinho – sem correr para um novo relacionamento ou tentar desesperadamente reconquistar o seu amante – é basicamente o que significa o desapego. Buda ensinou que é o apego que leva ao sofrimento. Portanto, o caminho mais direto para a felicidade e a paz é o desapego. Em seu livro, Eastern Wisdom for Western Minds, Victor M. Parachin conta uma história maravilhosa sobre um velho jardineiro que procurou o conselho de um monge. Escreve Parachin:

“Grande Monge, deixe-me perguntar-lhe: Como posso alcançar a libertação?” O Grande Monge respondeu: “Quem te amarrou?” O velho jardineiro disse: “Ninguém me amarrou.” O Grande Monge retrucou: “Então por que você busca a libertação?

Um dos pensamentos mais libertadores que repito para mim mesma quando estou imersa em pesar e tristeza é o seguinte: não preciso de nada nem ninguém para me fazer feliz. Quando estou experimentando a intensa angústia da tristeza, é tão difícil confiar que eu possa ser inteira sem essa pessoa na minha vida. Mas eu aprendi repetidamente que eu posso. Eu realmente posso. É meu trabalho preencher o vazio, e posso fazer isso… criativamente, e com a ajuda do meu poder superior.

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3. Enumere seus pontos fortes

Uma técnica que me ajuda quando me sinto fraca e derrotada para tentar novamente é enumerar meus pontos fortes. Eu digo para mim mesma: “Eu, você está sóbrio há 20 anos!! Os fracos não conseguem isso! E aqui está você, viva, depois daqueles 18 meses de pensamentos suicidas intensos. Além disso, você não fumou nenhum cigarro desde aquele funeral em dezembro do ano passado!” Digo tudo isso enquanto ouço a trilha sonora de “Rocky” e, na última linha, estou pronta para enfrentar meu próximo desafio: sair dessa tristeza e tentar ser um indivíduo produtivo neste mundo.

4. Permita-se algumas fantasias

O luto não seria o processo natural que deveria ser sem algum anseio pela pessoa que você acabou de perder. A Dra. Christine Whelan, que escreve o “Pure Sex, Pure Column” no BustedHalo.com, explica a lógica de permitir um pouco de fantasia. Ela escreve:

Se você está tentando banir uma fantasia sexual de sua cabeça, diga a si mesmo: “Eu não vou fantasiar sobre ela” ou “Eu não vou pensar sobre como seria ter intimidade com ele” pode piorar as coisas. Em um famoso estudo psicológico da década de 80, um grupo de pacientes foi instruído a pensar em qualquer coisa, mas o que quer que eles fizessem, não deveriam pensar em um urso branco. Adivinha no quê todos pensaram? (um urso branco).

5. Ajude outra pessoa

Quando estou sofrendo, o único antídoto garantido para minha dor é colocar todos os meus sentimentos em ordem, separá-los e depois tentar encontrar um uso para eles. Quando você volta sua atenção para outra pessoa – especialmente para alguém que está lutando com o mesmo tipo de dor – você se esquece de si mesmo por um momento. E vamos combinar que isso, em alguns dias, parece um milagre.

6. Ria. E chore

O riso cura em muitos níveis, assim como o choro. Você acha que é apenas uma coincidência que você sempre se sente melhor depois de um bom choro? Não, existem muitas razões fisiológicas que contribuem para o poder de cura das lágrimas. Algumas delas foram documentadas pelo bioquímico William Frey, que passou 15 anos como chefe de uma equipe de pesquisa que estuda as lágrimas. Entre suas descobertas está a de que as lágrimas emocionais (em comparação com as lágrimas de irritação, como quando você corta uma cebola) contêm subprodutos bioquímicos tóxicos, de modo que o choro remove essas substâncias tóxicas e alivia o estresse emocional. Então, pegue uma caixa de lenços de papel e chore a tarde toda.

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7. Faça uma lista de coisas boas e ruins

Você precisa saber quais atividades farão com que você se sinta bem e quais as que farão com que você queira se debulhar em lágrimas na casa (ou apartamento) de seu ex-amante. Você não saberá realmente qual atividade pertence a qual lista até que comece a tentar as coisas, mas suspeito que coisas como checar a linha do tempo no Facebook do seu ex e ver que ele acabou de postar uma foto de sua linda nova namorada não vão fazer você sentir-se bem, então coloque isso na lista de “não tente”, junto com e-mails e telefonemas para seus amigos, tentando conseguir alguma informação sobre ele.

Na lista “parece perfeito” podem ser encontradas atividades como: excluir todos os seus e-mails e mensagens de voz, penhorar as jóias que ele lhe deu (usando o dinheiro para uma massagem muito necessária?) e rir durante um café com um novo amigo que não o conheça (para garantir que o nome dele não surja durante a conversa).

8. Faça exercícios

Trabalhar sua dor de forma literal – correndo, nadando, fazendo exercícios, caminhando ou lutando boxe – vai lhe dar alívio imediato. Em um nível fisiológico – porque o exercício aumenta a atividade de serotonina e/ou norepinefrina e estimula substâncias químicas cerebrais que alimentam o crescimento das células nervosas – mas também em um nível emocional, porque você está assumindo responsabilidade e se tornando mestre de sua mente e seu corpo. Além disso, você pode visualizar a pessoa que é responsável pela sua dor e pode chutá-la no rosto. Agora, isso não parece maravilhoso?

9. Crie um novo mundo

Isso é especialmente importante se o seu mundo se juntou com o dele, o que significa que os amigos em comum que o viram na última semana sentem a necessidade de contar a você sobre isso. Crie seu próprio mundo seguro – cheio de novos amigos que não o reconheceriam em uma multidão e não sabem como soletrar seu nome – onde ele não poderá passar para uma visita surpresa – figurada ou literal. Aproveite esta oportunidade para tentar algo novo – aulas de mergulho, uma aula de arte, um clube do livro, um blog – para programar sua mente e corpo para esperar um novo começo… sem ele (ou ela).

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10. Encontre esperança

Há uma frase poderosa no filme “O conto do desesperado” na qual eu tenho refletido desde que a ouvi: “Há uma emoção que é mais forte que o medo, que é o perdão.” Acho que é por isso que, no leito de morte do meu pai, o momento de reconciliação entre nós me deixou com menos medo de perdê-lo. Mas o perdão requer esperança: acreditar que existe um lugar melhor, que o vazio dolorido experimentado em todas as suas atividades não estará com você para sempre, que um dia você estará animado para fazer café da manhã ou ir ao cinema com amigos. Esperança é acreditar que a tristeza pode evaporar, que se você tentar arduamente seguir em frente com sua vida, seu sorriso nem sempre será forçado. Portanto, para perdoar e superar o medo, você precisa encontrar esperança.
E lembre-se de amar de novo…

Uma vez que nossos corações estão machucados e feridos por um relacionamento que terminou, temos duas opções: podemos fechar pedaços de nosso coração para que um dia ninguém seja capaz de entrar. Ou podemos amar de novo. Profundamente, tão intensamente como antes. Henri Nouwen exorta-nos a amar de novo, porque o coração só se expande com o amor que podemos derramar. Ele escreve:

“Quanto mais você amou e se permitiu sofrer por causa de seu amor, mais você será capaz de deixar seu coração tornar-se maior e mais profundo. Quando o seu amor é verdadeiramente dar e receber, aqueles a quem ama não deixarão o seu coração, mesmo quando se afastarem de você. A dor da rejeição, ausência e morte pode se tornar frutífera. Sim, à medida que você ama profundamente, o solo do seu coração será quebrado cada vez mais, mas você se alegrará com a abundância do fruto que ele produzirá.”

(Link original: psychcentral)
*Traduzido e adaptado por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

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