Em matéria de coração arrebentado, doído e massacrado de tanto sofrer por amor, a música brasileira, principalmente a sertaneja, é fonte de inspiração e um convite para continuar afundando e atolando nas garras da paixão! Oh sofrência!
Querem ver uma?
“E eu me entreguei pra você mas no fundo eu sabia
Que era um amor perigoso e mesmo assim te queria
E me apaixonei pelos seus olhos, gamei no seu sorriso
O tempo foi passando, eu fui perdendo o juízo
Nada pra dar certo, tudo pra dar errado
Se hoje eu tô sozinho, eu fui o maior culpado
Eu sei que eu me arrisquei nesse amor perigoso
Mas quando é vagabundo, é muito mais gostoso
Eu sou cara de pau e faço tudo de novo
Sofro tudo de novo”
(Matheus e Kauan – Amor Perigoso)
Quem já se apaixonou conhece o trajeto dessa montanha russa. Um sobe e desce de grudar o estômago na garganta! Curvas excitantes e loopings aterrorizantes! Uma jornada de prazer e de dor.
De alegria e de tristeza. Felicidade ao extremo, e tristeza de fundo de poço. Tudo isso acontecendo em escala de revezamento. Ora um sentimento, ora outro. Ora a euforia, ora a depressão.
Leia mais: Paixão: um estado de desequilíbrio emocional
De repente vamos perdendo o juízo e o que era apenas para ser uma aventura nos transforma em escravos, e não somos mais donos das nossas emoções. Simplesmente elas passam a comandar nossos sentidos e não conseguimos mais pular fora.
Já passei por isso e lembro que quando estive nesse turbilhão, nada do que me diziam “me livrava das garras desse amor gostoso..” risos (Chitãozinho e Xororó). Até porque, da mesma série “sofrência”, “qualquer pessoa apaixonada fica cega e surda..incapaz de aceitar conselhos como ajuda…” (Jorge e Matheus).
Mas não estou aqui para dar conselhos como ajuda, apenas juntar-me a ti em uma reflexão sobre como lidar com a tristeza quando esperávamos sentir felicidade!
Há pessoas que não conseguem bancar esses opostos da vida. Geralmente quem tem medo de sofrer se atira na paixão com tendência a buscar somente o êxtase do prazer.
Leia mais: Em Busca da Felicidade…
Na busca inconsciente de ser feliz nega o sofrimento e a aflição. E quanto mais enfeitiçado pelo desejo, menos capaz de tolerar a dor ao não conseguir mantê-lo. E muitos sofrem demais ao perceberem que são impotentes diante do intangível, e aqueles sentimentos de regozijo, felicidade e sorte que pareciam tão concretos, escorregam-se entre os dedos, dando logo lugar ao vazio e à tristeza.
Essa é uma das mazelas da paixão. E como sair dessa armadilha?
O primeiro passo é a aceitação da coexistência dos opostos, ou seja, que o prazer não existe sem a dor. A alegria e a tristeza andam juntas. É a dualidade da vida, portanto. Negar qualquer dos extremos é causar divisão.
Comumente essa é uma das maiores causas de sofrimento. Negamos a parte que não queremos. A música da sofrência já dizia assim: ”A gente quando se apaixona não quer nem saber.. Só pensa que vai ser feliz e nunca vai sofrer” (Jorge e Matheus de novo).
É engraçado como o compositor da música que citei acima lida com a paixão, quando diz ser “cara de pau” pra sofrer tudo de novo. Ao que parece, o sentimento gostoso vale o risco do amor perigoso. É possível que ele tenha captado empiricamente o jogo que está por trás disso, e saiba apostar.
É o segundo passo. Entender que viver é jogar e que cada escolha representa um risco. Não é bem assim, “não sabe brincar não desce para o play”? (aí já não sei quem inventou essa..).
Bem, sabemos todos que estamos nesse mundo de passagem e, portanto, para experimentarmos os cinco sentidos. Queremos apreciar todos os prazeres que a vida pode proporcionar, porque merecemos, ora! Mas para isso temos que ter a consciência de que se a vida é um jogo há regras, que vem a ser entender o primeiro passo.
Leia mais: As escolhas amorosas não são feitas por acaso
Já o terceiro é a grande sacada: tudo é ilusão! Como assim? O que sinto não é real? Claro que sim, mas dentro de um mundo que eu mesmo criei. Explico. Nós criamos nossa própria história, nosso enredo, nossa trilha musical. Nascemos no vazio e no silêncio, e o nosso mundo foi sendo preenchido com palavras e pensamentos e um tanto de outras coisas mais.
Hoje entra nossa mente só o que permitimos. Portanto, essa paixão que não conseguimos nos livrar é uma história que permitimos viver. É agora o nosso mundo porque em algum momento autorizamos a sua invasão, ainda que por uma fenda quase imperceptível.
Somos nós os diretores e protagonistas do filme de horror, comédia, musical ou drama que queremos viver. Sendo assim, nós somos os prisioneiros do mundo que inventamos. E se nos encarceramos nele, nesse furor, é porque assim optamos. Não há desculpas. Ninguém, absolutamente ninguém, é responsável pelo lugar, situação ou circunstância que estamos vivendo, a não ser nos mesmos.
Uma das lições do livro Um Curso em Milagres (escrito por Helen Schucman e William Thetford – Foundation for Inner Peace – UCEM lição 57), traz citações poderosas que aqui se encaixam: “As minhas correntes estão soltas. Posso deixá-las cair meramente por desejar fazer isso. A porta da prisão está aberta. Posso sair simplesmente caminhando para fora. Nada me retem nesse mundo. Só o meu desejo de ficar me mantém prisioneiro”.
Leia mais: A paixão
Por isso não há mal nenhum em se entregar a paixões. Tampouco se apaixonar é emoção para aprendiz. Ao contrário, é para os fortes. Fechar os olhos e se entregar a uma emoção intensa é escolha, mas é preciso ter discernimento de que envolve o risco da dor. E esse risco é individual. A projeção é tua. O sentimento é teu. A entrega de corpo e alma sem pré-contratar com a vida a adesão a essas cláusulas, pode representar um risco bem grande ao desespero assim que o objeto desejado escapar. Por isso é necessária a visão panorâmica e clara desse cenário a fim de poder optar pelo equilíbrio.
Por outro lado sermos frios e relutarmos a experimentar as sensações intensas do viver, negar inclusive o acesso às borboletas na barriga por puro medo de sofrer, também não parece uma boa solução. Isso é esperar morrer!
A maturidade ensina recuar. Eu sei. Mas ter a noção dos opostos, da inconstância dos sentimentos, da impermanência das coisas, não carecia arrefecer as pessoas. Ao contrário, deveria fomentar ainda mais o fascínio pela vida. Mas a gente parece ser programado para ser insignificante. E por quê, meu Deus?
Leia mais: A verdade por trás de uma pessoa fria
Estamos aqui neste mundo para curtir a vida da melhor forma, sem ferir ninguém e sem nos ferirmos, certo? E se podemos sair das grades que criamos em nosso entorno a qualquer momento, então também podemos romper a coleira imaginária que sufoca nossa liberdade, se assim decidirmos! Isso não é um milagre? “Eu inventei a prisão na qual me vejo. Tudo o que eu preciso fazer é reconhecer isso e sou livre” (UCEM), inclusive da paixão, porque ela também é uma ilusão.
Há abundância incalculável e infinita fora e dentro de nós, a ponto de podermos inventar qualquer coisa para sermos felizes. Viver apaixonadamente é uma escolha. Ser água morna, ainda que nem chá faça, também é uma opção.
Então, porque não aproveitamos o período de existência nesse planeta para sermos a pessoa mais sensacional, extraordinária e surpreendente que já conhecemos, nos entregando ao que tem de melhor? Só porque te apaixonou e doeu vai desistir?
Leia mais: Medo de amar
Ora, enfim temos a percepção de que há um outro olhar que podemos ter diante dos fatos, diante do outro, diante dos relacionamentos, do amor e da dor, e que tudo, absolutamente tudo passa, tanto o prazer quanto o sofrimento. E se temos a consciência de que sempre há um caminho do meio como remanso, e que somos livres pra sair da trama que nos colocamos a hora que quisermos, então não há mais o que temer.
Por tudo isso posso escolher viver o que eu quiser, porque sou livre tanto pra me livrar das garras desse amor gostoso, quanto pra relaxar e começar tudo de novo. E se eu quiser ser “cara de pau” e fazer tudo de novo, sofrer tudo de novo, eu que sei! E viva a sofrência!
Suas prioridades não são as dos outros. Suas verdades não são as dos outros. Então…
O sofrimento não é uma escolha pessoal; ninguém escolhe a dor ou o isolamento emocional…
Prolongar o tempo na cama por mais alguns minutinhos, logo após acordar, ou tirar algumas…
Forças malignas sempre te impedem de cumprir prazos? Entrar no mestrado está sendo mais difícil…
Ficar nervoso ou ansioso em algumas situações da vida como, por exemplo, antes de uma…
Gentileza gera gentileza. Pois é, mas acho que ser gentil não é ser bem educado,…