Você conhece uma alguma pessoa inteligente que se apega rigidamente a um sistema de crenças irracional? Pode ser algo que eles façam sem uma boa razão. Pode ser que sintam raiva de pessoas que elas nem conhecem. Ou pode se sentir assustado sempre que algo mudar. Se você conhece alguém assim, sabe como é frustrante não conseguir entender o cérebro dessa pessoa, mesmo que seja você mesmo.

Talvez eu possa lançar alguma luz sobre isso.

Desde a infância, todos procuramos um conjunto de regras que nos ajudem a navegar pelo mundo em que vivemos. A hora de acordar, se vestir, ir trabalhar, comer em casa, jantar, etc. Uma vez que as regras estão em vigor, não precisamos pensar o tempo todo. Nós apenas seguimos as regras. A vida é calma. A vida é certa.

Quando as regras entram em colapso, no entanto, (ex.: você perde o emprego), você deve pensar em muitas coisas. “O que eu faço agora? Como devo fazer isso? Com quem devo falar?”. Tanto para descobrir!

É então que você percebe que tanto pensamento pode se tornar algo cansativo. Assim, você pode se rebelar abertamente e dizer: “Eu não aceito mais aceitando essa porcaria”. Ou você pode se rebelar em silêncio: “Muita mudança! Eu quero a minha antiga vida de volta!”

Você quer resolver seu problema. Você quer previsibilidade. Você quer alívio do caos rodando em sua cabeça. Você almeja um novo conjunto de regras para ajudá-lo a administrar seu mundo sem uma necessidade constante de analisar, deliberar, estudar e se enredar em todo esse pensamento cansativo.

Então, como você simplifica as coisas? Deixe-me mostrar as formas:

1. Você entorpece sua dor. Tantas maneiras de fazê-lo, beber, opiáceos, drogas legais e ilegais, jogos online, dormir o dia todo.

2. Você se conecta à RESPOSTA que bane a dúvida, substituindo-a com certeza. “Eu perdi meu emprego por causa daqueles imigrantes ilegais! Por causa das mulheres trabalhando! Por causa de … (você preenche o espaço em branco).”

3. Você se volta para uma religião rígida para substituir o pensamento, fornecendo respostas que não deixam espaço para perguntas.

4. Você recorre ao dualismo – bandidos e mocinhos. E, claro, somos sempre os bons e os “demonizados” são os maus.

5. Você segue um líder que inflou o senso de certeza para que ele possa pensar por você. Você apenas tem que segui-lo.

À medida que se conecta a qualquer uma dessas soluções, você encontra alívio em suas ansiedades, alívio de suas inseguranças, alívio em tentar descobrir como navegar nesse nosso mundo complicado.

Mas a que custo? Você perde sua capacidade de pensar.

“Sem dor, sem ganho” não é somente uma boa mensagem para o exercício físico, é também uma boa mensagem para a angústia mental. Você precisa sentir-se confuso, sentir-se ansioso, sentir-se vulnerável e descobrir como lidar com esses sentimentos. Você precisa usar seu cérebro. Para pensar. Para refletir separar o fato da fantasia.

Os desafios do mundo real nos fornecem predicamentos que não têm respostas fáceis. Mesmo quando ansiamos por eles. Sim, gostaríamos de confiar em equipes de resgate. Mas quando exigimos que alguém nos resgate, ficamos abertos a demagogos que ficarão felizes em nos fornecer soluções de curto prazo sem considerar as consequências a longo prazo. E, mais importante, quando confiamos nos socorristas, perdemos a oportunidade de administrar nossas ansiedades e crescer a partir da experiência.

Então, se você às vezes se cansar de pensar, faça uma pausa. Relaxe. Faça algo simples. Mas não desista do poder do seu cérebro, não o entregue para os outros que chegam a você com soluções simples e mágicas. Em vez disso, tolere sua incerteza enquanto procura por novas regras para lidar com novas circunstâncias.

(Autora: Linda Sapadin)
(Fonte Original: psychcentral)
*Texto traduzido e adaptado por Carolina Marucci, da equipe Fãs da Psicanálise.

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