Sim, às vezes precisamos matar sentimentos para manter a convivência.

Contradição? Não. É a vida real, que em alguns momentos pode se tornar muito dura e dolorosa. Sempre defendo em meus textos a importância de termos uma vida autêntica. Sempre defendo a ideia de que devemos fazer o que gostamos, pensar com a própria cabeça , se entregar ao amor verdadeiro, ficar onde somos realmente queridos.

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Por outro lado, por mais libertária e espontânea que seja uma pessoa, em algumas situações, ela vai precisar engolir alguns sapos e fingir que está tudo bem para evitar conflitos.
Conflitos que poderiam gerar grandes estragos em sua vida e na vida de outras pessoas. Conflitos que poderiam estragar relações essenciais para a sua felicidade.

Sim, ás vezes precisamos suportar o insuportável em nome de algo maior. Ás vezes, precisamos calar algumas palavras na boca para evitar confrontos diretos. E por mais doloroso que seja , algumas vezes, precisamos sufocar o amor ou a amizade profunda que sentimos por uma pessoa para deixarmos de sofrer, para continuarmos convivendo sem grandes dramas e desgastes emocionais.

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Quando gostamos muito de um amigo, mas sentimos que ele corresponde à nossa amizade pela metade, não precisamos deixar de conviver com ele, principalmente se frequentamos os mesmos lugares e temos amigos em comum. Basta que matemos um pouco do carinho e da amizade que sentimos pela pessoa. Basta não colocarmos mais a pessoa no centro do nosso coração, sentada numa cadeira mega confortável. Basta que a deixemos lá , num cantinho mais modesto com outras pessoas que respeitamos , mas que não amamos profundamente.

Quando enfraquecemos um pouco certos vínculos afetivos , as ações da pessoa que nos magoa ou que nos negligencia já não nos afetam tanto.

Uma das coisas mais tristes da vida é a não reciprocidade. É sentir que uma pessoa mega importante na sua vida , apenas gosta de você, mas não te considera realmente especial. Amor e amizade vínculos afetivos que aquecem e iluminam o coração precisam ser integrais, totais, caso contrário , se tornam uma amizade a mais. Não faz muita diferença.

Quem se diz nosso amigo, mas nunca tem tempo para nós, não oferece uma amizade realmente acolhedora. Quem se diz nosso amigo, mas só nos procura nos momentos de crise, nos vê como um conselheiro ou um bombeiro para apagar incêndios da alma, mas não é realmente nosso amigo.

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Quem não compartilha das nossas maiores alegrias também não nos oferece o tipo de amizade que ilumina a vida. Quem se diz nosso amigo, mas também é amigo de pessoas que nos fizeram sofrer profundamente , pode até gostar da gente , mas o amor que sente pelo nosso inimigo acaba , de certa forma , anulando o amor que sente por nós.

Como se sentir completamente à vontade e se entregar totalmente a quem troca confidências com um inimigo nosso? Com quem convive e tem amizade por uma pessoa que quase nos destruiu? É muito complicado e doloroso ver quem amamos , alimentando uma amizade por quem nos impôs um sofrimento quase insuportável. Esta questão cada um deve refletir no silêncio ou no tumulto do próprio coração por ser extremamente íntima e subjetiva.

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Sílvia Marques

Professora universitária, escritora e estudante de Psicanálise. É colunista do site Fãs da Psicanálise.



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