Você já deve suspeitar que ir bem na escola não é a única medida de inteligência do mundo. Isso porque a educação acadêmica ignora certos tipos de habilidade em detrimento de outros. Se você não é bom em matemática ou línguas, você pode ainda ser talentoso em outras áreas, mesmo que não saiba que é um tipo de inteligência também.

A teoria das inteligências múltiplas foi estudada pelo psicólogo Howard Gardner como um contrapeso para o paradigma da inteligência única. Ele propôs que a vida humana requer o desenvolvimento de vários tipos de inteligências. Portanto, Gardner não entra em conflito com a definição científica de inteligência como sendo “a capacidade de resolver problemas ou fazer coisas importantes”.

Howard Gardner e seus colegas da prestigiada Universidade de Harvard advertiram que a inteligência acadêmica (obtida através de qualificações e méritos educacionais) não pode ser o fator decisivo para determinar a inteligência de uma pessoa. Gardner e seus colegas poderiam dizer que Stephen Hawking não tem mais inteligência do que Leo Messi, mas cada um desenvolve um tipo diferente.

A pesquisa de Howard Gardner identificou e definiu nove tipos diferentes de inteligência. Vamos ver com mais detalhes cada uma das inteligências propostas pela Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner.

Inteligência linguística

A capacidade de dominar a linguagem e se comunicar com outros é importante em todas as culturas. Desde pequeno o ser humano aprende a usar a língua nativa para ser capaz de se comunicar de forma eficaz. A inteligência linguística não só se refere à capacidade de comunicação oral, mas a outras formas de comunicação como a escrita, gestual, etc.

É a capacidade de pensar em palavras e usar a linguagem para expressar e apreciar significados complexos. Essa inteligência é a competência humana mais amplamente compartilhada e é evidente em poetas, romancistas, jornalistas e oradores públicos. Adultos jovens com esse tipo de inteligência gostam de escrever, ler, contar histórias ou fazer palavras cruzadas.

Inteligência lógico-matemática

A inteligência lógico-matemática é a capacidade de calcular, quantificar, considerar proposições e hipóteses e realizar operações matemáticas completas. Ela nos permite perceber relações e conexões e usar pensamento abstrato, simbólico; ter habilidades de raciocínio sequencial; e ter padrões de pensamento indutivos e dedutivos.

Durante décadas a inteligência lógico-matemática foi considerada um tipo de inteligência bruta. Ela assumiu o eixo principal do conceito de inteligência, e foi usada como um ponto de referência para detectar o quão inteligente era uma pessoa. Como o próprio nome indica, este tipo de inteligência está ligada à capacidade de raciocínio lógico e resolução de problemas matemáticos.

A velocidade para resolver estes problemas é o indicador que determina quanta inteligência lógico-matemática a pessoa tem. O famoso teste de quociente de inteligência (QI) é baseado neste tipo de inteligência e, em menor proporção, na inteligência linguística. Cientistas, economistas, acadêmicos, engenheiros e matemáticos muitas vezes se destacam neste tipo de inteligência. Adultos jovens com muita inteligência lógica são interessados geralmente em padrões, categorias e relacionamentos. São atraídos por problemas de aritmética, jogos de estratégia e experimentos.

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Inteligência Espacial

A inteligência espacial é a capacidade de pensar em três dimensões, de observar o mundo e os objetos em diferentes perspectiva. Habilidades básicas incluem raciocínio espacial, manipulação de imagem, habilidades gráficas e artísticas e imaginação ativa.

Pessoas que se destacam nessa inteligência, geralmente têm habilidades que lhes permitem criar imagens mentais, desenhar e identificar detalhes, além de um sentimento pessoal de estética. Com essa inteligência desenvolvida, encontramos pintores, fotógrafos, designers, escultores, arquitetos e outras profissões que exigem criatividade… Adultos jovens com esse tipo de inteligência podem ser fascinados com labirintos ou quebra-cabeças, ou gostar de desenhar e sonhar acordado.

Inteligência Musical

A inteligência musical é a capacidade de discernir entre ritmo, timbre e tom. Permite que as pessoas reconheçam, criem, reproduzam e reflitam sobre música, como demonstrado por compositores, maestros, músicos, vocalistas e ouvintes sensíveis. Curiosamente, muitas vezes há uma ligação afetiva entre música e emoções. Além disso, inteligências matemáticas e musicais podem compartilhar processos de pensamento comuns. Adultos jovens com esse tipo de inteligência são geralmente muito conscientes de sons que outros podem não notar.

Inteligência Corporal e Sinestésica

A inteligência corporal-cinestésica é a capacidade de manipular objetos e usar uma variedade de habilidades físicas. Essa inteligência também envolve um senso de tempo certo e perfeição de habilidades através da união mente-corpo.

A capacidade intuitiva da inteligência corporal é utilizada para expressar sentimentos através do corpo. São particularmente brilhantes neste tipo de inteligência: dançarinos, atores, atletas e até mesmo cirurgiões e artistas plásticos, porque todos eles precisam usar racionalmente as suas capacidades físicas.

Inteligência Intrapessoal

A inteligência intrapessoal é a capacidade de compreender a si mesmo e seus pensamentos e sentimentos, e usar esse conhecimento no planejamento e direcionamento da vida. Essa inteligência envolve não só a valorização do eu, mas também da condição humana. É evidente em psicólogos, líderes espirituais e filósofos. Estes jovens adultos podem ser tímidos. São muito conscientes de seus próprios sentimentos e são automotivados.

Inteligência Interpessoal

A inteligência interpessoal nos permite ficar conscientes de coisas que os nossos sentidos não conseguem captar. É uma inteligência que nos possibilita interpretar palavras, gestos, objetivos e metas subentendidos em cada discurso. A inteligência interpessoal aprimora a nossa capacidade de empatia. É uma inteligência muito valiosa para as pessoas que trabalham com grandes grupos.

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Sua capacidade de detectar e compreender as circunstâncias e problemas dos outros será maior com a inteligência interpessoal. Professores, psicólogos, terapeutas, advogados e educadores são perfis que têm uma pontuação muito elevada neste tipo de inteligência descrita na teoria das inteligências múltiplas. Adultos jovens com esse tipo de inteligência são normalmente líderes, bons em se comunicar e parecem compreender sentimentos e motivações dos outros.

Inteligência Existencial

A Inteligência Existencial diz respeito a ter consciência de nossa posição no cosmo; nossos limites, da nossa relação com as maiores e menores grandezas do universo. E, além disso, também ter a ver com o vivenciar (reconhecer a si mesmo antes, durante e depois) as experiências que modificam o Ser, tais como o Amor e a Arte.

Esta inteligência se refere às questões definitivas: “Qual o sentido da vida?”, “O que é ‘morrer’?”, “Porque existe o mal?”… E o fato de que grandes personalidades inteligentes existencialmente serem homens religiosos, ajuda muito confundir “a busca pela Verdade” com “criação de Dogmas”.

Então, a primeira coisa necessária a entender aqui é: Inteligência Existencial NÃO é religião!

Se trata do SEU contato com o divino, com o universo, com as questões filosóficas da existência. Religião é a maneira que OUTRA pessoa encontrou para buscar as respostas. Você pode aceita-la ou não, segui-la ou não. Isso não te faz mais inteligente, ou mais correto, do que qualquer outra pessoa. Não existe “religião certa”, como não existe “resposta correta e definitiva” quando se trata desse assunto.

Inteligência Naturalista

A inteligência naturalista detecta, diferencia e categoriza as questões relacionadas com a natureza, como espécies animais e vegetais ou fenômenos relacionados ao clima, geografia ou fenômenos naturais. Este tipo de inteligência foi adicionado mais tarde ao estudo original de Inteligências múltiplas de Gardner, em 1995. Gardner achou necessário incluir nesta categoria porque é uma das inteligências essenciais para a sobrevivência do ser humano e de outras espécies.

Gardner afirma que todas as pessoas possuem cada um dos nove tipos de inteligência, embora cada tipo seja mais desenvolvido em algumas pessoas do que em outras, todos os nove tipos tem a mesma importância e não há uma mais valiosa que a outra.

Em geral, precisamos utilizá-las para enfrentar a vida, independentemente da ocupação realizada. Afinal, a maioria dos trabalhos requer o uso da maioria dos tipos de inteligência. A educação ensinada na sala de aula é um procedimento destinado a avaliar os dois primeiros tipos de inteligência: linguística e lógica matemática.

No entanto, esta educação é totalmente inadequada para educar os alunos na plenitude do seu potencial. A necessidade de mudança no paradigma educacional foi trazida à discussão pela Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner.

(Fonte: psicologiaymente)

*Tradução equipe Fãs da Psicanálise.

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