As mulheres estão cada vez mais mulheres. A verdade é que começaram a perceber que não precisam se igualar aos homens em nada! Precisamente porque sabem hoje que não é na comparação que se cresce. Bem pelo contrário. Pela comparação cria-se não quem se é, mas quem se acredita que deve ser para atingir algum propósito.

Percebo que cada vez mais mulheres têm consciência de que tudo aquilo que precisam está dentro delas. Vejo mulheres a dizer não ao desrespeito e a não querer entrar nas batalhas das quais não recebem mais do que mais desrespeito.

Acredito que as mulheres hoje sabem, ainda de forma mais clara, quando sair de uma luta sem se sentirem derrotadas, mas antes, mais enriquecidas no respeito que mostram por si mesmas.

Vejo também que, contrariamente ao que se divulgou bastante com o feminismo, as mulheres percebem que muito daquilo que se defendia tinha por base um certo “rancor” contra o “domínio” abusivo dos homens sobre elas próprias. Hoje, já entenderam que o que foi, independentemente de muita injustiça, foi o que foi. No fundo, sem querer ser injusto, foi o que permitiram, muitas vezes sem terem muita consciência de que podiam existir outras realidades.

A verdade é que uma grande parte das mulheres tornou-se livre dessa comparação sem sentido com os homens. Hoje, já não procuram ser tão “boas” quanto eles, mas antes boas como elas mesmas. As mulheres sabem, até melhor do que a grande maioria dos homens, que têm um lado muito seu que lhes permite ser cada vez mais elas mesmas, apesar de toda a estúpida pressão na nossa sociedade que teima em comparar mulheres e homens. Esse lado é a sua sensibilidade.

Antes, as mulheres aplicavam a sua sensibilidade mais a um nível doméstico, sobretudo no seu papel de mães. Hoje, a sua sensibilidade estendeu-se a si mesmas e todo o seu valor, enquanto pessoas, emergiu na sua máxima intensidade. A extensão da sua sensibilidade cresceu na dimensão do respeito que começaram a sentir por si mesmas enquanto mulheres e seres humanos, não com o direito a competir, mas a serem elas mesmas.

Os seres humanos não nasceram para competir. A sociedade fê-los ser dessa maneira. As mulheres estão a entender este processo da não competição de uma forma que ainda poucos homens conseguem. Tal constatação as faz ver a sua vida numa nova perspectiva, numa perspectiva em que o âmago de todas as questões passa primeiro por elas, antes de todos os outros, contrariamente ao que antes pensavam. Esta consciencialização não as faz ser egoístas e egocêntricas. Muito pelo contrário. Está a fazê-las crescer enquanto mulheres, mães, esposas e profissionais. Tal pode parecer um contrassenso, mas, na verdade a sensibilidade das mulheres é a sua libertação de um mundo demasiado “preso” a conceitos e limitações.

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Hoje, ao ter plena consciência da sua sensibilidade, a mulher representa um lado a que o mundo competitivo não estava habituado. Hoje, a mulher, consciente da sua sensibilidade, é o elemento que faltava a este mundo para que ele pudesse ganhar um equilíbrio fundamental.

Ser mulher, em toda a sua sensibilidade, é aquilo que garante a esta sociedade, a este mundo, um renascer muito mais eficaz do que o que foi feito pelos homens. Infelizmente, ainda muitas mulheres veem a sua sensibilidade como uma fraqueza, uma maneira fácil de serem manipuladas e enganadas pelas outras pessoas, nomeadamente pelos homens, e vitimizam-se em vez de serem gratas por essa sua característica. Como tal, procuram soluções fora delas mesmas, o que resulta num afastamento cada vez maior da sua sensibilidade e, consequentemente, da sua essência.

Uma mulher que não entende a sua sensibilidade acaba vítima de si mesma. O seu caminho torna-se, então, duro e dependente, deixando-a sem forças para lutar por si e rendendo-a a uma vida sem sentido e amor. Nestes casos, a mulher apenas sobrevive, culpa o mundo da sua situação e nunca é respeitada.

No entanto, a sensibilidade não tem nada a ver com poder. São poucas as mulheres com poder que conseguem ser sensíveis. Para exercer poder é necessário pensar e lidar com a lógica. A sensibilidade não está no maior ou menor poder de uma mulher. A sua sensibilidade está na sua capacidade de se afastar dele e, mesmo assim, ser “poderosa” na maneira como se faz sentir mulher.

Uma mulher sensível é uma mulher que se respeita acima de tudo e de todos. É alguém que se faz sempre respeitar enquanto mulher. É alguém que, com o seu exemplo, mostrar aos homens as vantagens de eles deixarem vir à tona o seu lado sensível, aquele seu lado feminino que os ajudaria a serem pessoas mais conscientes de si próprios e do mundo em que vivem.

A mulher sensível está transformando esta sociedade num lugar onde a sensibilidade se tornou o grande caminho para um novo mundo!

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José Micard Teixeira
José Micard Teixeira é um escritor e coach português nascido em 1961 na cidade de Aveiro (Portugal). É Autor de 6 livros de autoconhecimento e dá palestras e workshops sobre os mais variados temas relacionados com a natureza humana e a sua evolução. Deixou em 2002 um cargo de director geral de empresas para seguir o seu sonho de comunicar com os outros a sua verdade e ajudar as pessoas a se encontrar. Dá consultas de Coaching Pessoal e Profissional via Skype para todo o Mundo. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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