A gente quando fala em herança treme dos pés a cabeça. Ou você treme porque vai receber uma bolada ou porque não vai. Sem falar que ninguém quer morrer e deixar uma herança.

Mas quero falar aqui de outra herança, ainda que dentro do mesmo contexto que mencionei no primeiro parágrafo, queria apenas colocar uma frase que escrevi em meu primeiro ou segundo livro, confesso que não me lembro mais e estou com preguiça de pesquisar. Eu disse algo assim: Quando o tema é herança, mais cedo ou mais tarde, as máscaras caem e todo mundo se revela.

Serve para outro contexto também. Vamos falar de relações humanas. Sim, todas elas, quero dizer, as relações de toda natureza deixam heranças.

Um casamento que termina deixa heranças. A amizade que se perde durante a caminhada da vida deixa uma herança. Relações entre pais de filhos deixam herança que não aquela financeira. Relação entre irmãos deixam herança. Um simples namoro deixa herança. E por aí vai…

Pare um minuto para pensar, façamos um exercício interessante e que faz parte da metodologia de aplicação de Coaching que criei e desenvolvi: Tente se lembrar quais heranças você recebeu, está recebendo, deixou e deixará.

Sim, a vida é ativa e, de alguma forma, estamos sempre nos relacionando com alguém. Seguindo o meu raciocínio, onde há relação humana haverá uma herança. E mais, essa herança fará as máscaras caírem e revelará a essência das pessoas envolvidas.

Aí é que mora o “x” da questão. O que estamos enxergando e o que estão enxergando de nós? O que nos deixaram e o que nós deixamos? O que revelam e o que revelamos quando falamos em… essência?

Eu sei, se você fez o que pedi, deve estar sentindo algum tipo de dor. Sim, também sei que é um exercício pesado, denso. Mas vejamos o lado bom, é revelador, enriquecedor em termos de autoconhecimento, em termos e observação dos outros… O saldo desse exercício é relativamente equilibrado, deixamos e recebemos boas e más heranças, portanto, nem é de tanta importância se quisermos fazer uma análise estatística. O que vale de fato é a análise individual da coisa.

Leia Mais: O que tenho de mais sagrado é a capacidade de me encantar

Pegue aí uma relação amorosa, por exemplo. O que te deixou essa relação. O que essa pessoa que hoje não faz mais parte de sua vida deixou para você. E você, deixou o que para ela? Ensinamentos? Marcas? Cicatrizes? Alegrias? Nada?

Pois é, há de tudo e certamente nossa tendência será a de nos lembrarmos de alguma relação ruim. A tendência será a de achar que não nos deixaram nada além de lixo. Não reciclável. Mas e quanto a você? O que deixou?

Mais grave do que fazer uma análise rasa do que nos deixaram ou o que nós deixamos como herança é descobrir as verdadeiras essências. As nossas e a dos outros. Nesse ponto é onde surge a decepção e o arrependimento. Uma das piores dores que um ser humano pode experimentar.

Na hora de uma separação, as máscaras caem mesmo. Muitas vezes, como em um processo de herança familiar, a luta é por bens materiais, colocam filhos no fronte, no meio do campo de batalha como se uma guerra fosse, usam e abusam das chantagens emocionais… mas tem uma coisa ainda mais triste: O desprezo.

A gente passa anos de nossas vidas ao lado de alguém e no final, o que sobra em abundancia é o desprezo. E querem saber de uma coisa esquisita? Quando a gente é que despreza bate até uma certa culpa. Misturada ao arrependimento por ter se permitido levar adiante algo tão sem valor agregado, para usar uma linguagem de business.

A conclusão é que algumas relações não nos ensinam nada além de que é preciso seguir sua intuição quando “ela”, em algum momento, te avisa… isso aí não serve pra nada.

Compartilhar

RECOMENDAMOS


Marcelo Mello
Coach Pessoal e Empresarial, Consultor de Negócios, palestrante e escritor. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here