As vezes em nossas vidas, nos deparamos com situações que parecem não ter solução, impossível seguir adiante, a junção de fatores só complica, nada parece favorecer e nesse temporal, andamos cabisbaixos, desmotivados.

Em que pese este estado de ânimo nada favorável, há formas diferentes de percepção da realidade, muitas situações se tornam complicadas por falta de capacidade nossa em ver possibilidades e soluções. Sempre é mais fácil desistir, justificar, jogar a toalha ou simplesmente fugir. Mas, a vida arma um laço que se torna somente possível seguir adiante se você se atrever a sair de sua própria prisão.

A leitura dos fatos com exagero nos aspectos negativos, podem ser paralisantes do ponto de vista cognitivo e comportamental. As formas dicotômicas de interpretação dos fatos dentro de cada realidade trazem comprometimentos, sendo um dos fatores que aprisionam e passam a sensação de impossibilidades e ausência de solução das mazelas vivenciadas.

Às vezes, o medo se esconde em cada decisão que tomamos. Medo do fracasso, do desconhecido, de não sermos aceitos, de não sermos eficientes, de não sabermos escolher nosso próprio caminho ou de sermos julgados, e paralisamos.

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Saber diante mão como tudo será antes de começarmos ou de nos depararmos com mais obstáculos no trajeto ou na preparação deste futuro breve pode redundar em muitas frustrações. Mas será que precisamos ter controle de tudo? Até do que não temos como controlar? É realmente necessário complicar tanto o presente para melhorarmos o futuro?

Nossas reações comportamentais e emocionais são influenciadas pela percepção que temos dos eventos reais, na superfície temos os pensamentos automáticos, rápidos, repentinos, breves (e por isso mesmo é difícil que o sujeito se dê conta deles) não envolvem uma reflexão racional, mas refletem profundamente as crenças limitantes, origem das inibições referentes a tomada de decisão.

As emoções originadas por esses pensamentos são frequentemente associadas às situações as quais eles surgem. Razão pela qual se torna tão importante identificar os pensamentos automáticos para que possam ser avaliados e modificados, e consequentemente modificando o nosso modo de perceber as situações, modificamos também os comportamentos e emoções frente a elas.

Importante que se diga que relacionamos nosso mundo com base nas nossas ideias e conclusões a respeito de nós mesmos e do mundo (ambiente físico e semelhantes), ou seja, essas crenças são profundas e tomadas como verdade pelo sujeito, e são, portanto, muito rígidas e difíceis de serem contestadas. Aparecem nos momentos de decisão, de exposição das ideias de como vemos o mundo e a nós mesmos.

Importante que se diga isso, pois a tomada de decisão é influenciada pela forma com que nos vemos, como vemos o mundo. Se acharmos que a vida é complexa e desanimadora, provavelmente tenhamos um humor rebaixado, pouca esperança, portanto pessimistas. Inclinados a um quadro depressivo diante de um estresse ou de situações difíceis. A vida pode ser muito mais simples, mais leve. Querer subjugar, controlar tantas variáveis, pode ser além de impossível, muito frustrante. E pior que isto, pode nos privar de grandes momentos e da possibilidade de encontrar, conhecer e surpreender a nós mesmos.

A vida tem muitas possibilidades, e sua mente pode conceber, basta flexibilizar. Não é “errado” planejamentos, certo é que a frustração nem sempre avisa quando irá chegar. Se vivermos sem sabermos onde ou em que direção estamos indo ou consciência de onde queremos chegar, não reconheceremos quando alcançamos as metas, o esforço empreendido tampouco as estratégias adotadas, portanto se trata de deixar a porta aberta para que possibilidades aconteçam, porque você sabe de onde partiu e reconhece quando chegar. Assim, se o resultado não for o esperado, podemos escolher entre sofrer ou enfrentar, tentar novamente e não fracassar.

Mas, como identificar esse caminho? Existem situações que nos fazem calar por completo, pois sentimos com clareza que é por ali…silencie os ruídos das distorções da sua cognição. Se você for capaz de ser sincero, de silenciar as vozes que lhe dizem que você é incapaz, que você é inadequado, inepto, você poderá ouvir sua voz interior e perceber se a rota traçada é ou não um bom caminho. E quando sentir que é preciso mudar seus planos, não tenha medo de retomar, e fazer novamente, e melhor e mais aperfeiçoado, e se for do seu desejo, fazer algo fora dos planos, de forma intencional, desafiando sua lógica em algo que lhe apraz, não resista. Ouse, dê-se uma oportunidade de tentar algo diferente que lhe traga alegria e satisfação. Decifre isso que você precisa e ache uma maneira de fazê-lo, dentro das suas possibilidades.

Nossa zona de conforto pode se tornar nossa prisão. Saia se você precisar. Ela continuará onde você a deixou caso precise voltar. Lembre-se de que você tem a chave. Você é livre para sair e também para voltar ou apenas permanecer por lá. Sem ter vivido.

Para abrir as portas de sua cela, comece por se livrar dessa visão estreita de que você não consegue mudar. De que você é assim e assim continuará. Este modo inflexível de ser e ver o mundo pode não lhe permitir olhar e seguir adiante, não lhe deixar agarrar oportunidades que a vida lhe apresentar de ser e viver de forma mais plena.

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É verdade que nos escondemos em algum cômodo seguro e as vezes jogamos as chaves fora, com medo do sofrimento, da perda, geralmente com base em experiências passadas. O sofrimento e a dor abarrotam nossa mochila vivencial com medos, complexos e crenças limitantes. Mas, podemos transformar essa pesada mochila em uma caixa de ferramentas.

Se tivermos coragem de abrir a porta que nos mantem aprisionados às crenças limitantes, usaremos esta bendita coragem como chave para abri-la e talvez nunca mais regressar à condição pregressa. O medo tem faces, ele se esconde por trás de cada decisão que tomamos. Do fracasso, do desconhecido, de não sermos suficientemente bons, de termos confundirmos tudo, inclusive nosso caminho, de sermos julgados, e nos apavoramos.

Não deixe que o medo seja o guie de suas ações, que mantenha sua porta fechada por medo de fracassar, não há vencedor que não tenha fracassado em alguma tentativa, ou você se arrependerá de não ter vivido. Ainda que haja tropeços … Cada passo será importante no seu processo de crescimento pessoal.

Passo a passo, na medida em que seu pé alcançar, sem sustos, sem rompantes, sem ímpetos de se jogar por completo, se não se sentir preparado. Um pé após o outro nos traz a certeza da mansidão nas decisões, pode existir riscos, pois a vida é cheia deles, mas se você achar que é o caminho, corra esse risco. O caminho lhe ensinará a trilha-lo e na medida em que o fizer, a segurança o acompanhará, acima de tudo, você estará orgulhoso de si mesmo.

A medo cederá. À medida que aprendemos a gerencia-lo, nos acostumamos a senti-lo, mas sem que nos impeça de raciocinar. A incerteza, faz parte da trajetória e riscos sempre existirão. Assim, a estrada surge e quando nos damos conta já estamos trilhando a passos largos, sem olhar para trás, com lucidez e autoconsciência.

Nosso cérebro é o órgão mais treinável do nosso corpo, o uso ou o desuso assim como nossos músculos; usou, desenvolve, não usou, atrofia. Para sairmos de onde estamos e mudarmos o roteiro de nossas vidas, é necessário reconhecer nossos modelos mentais, como funcionam, em que acreditam, dirigindo sua linha de pensamento, corrigindo se for necessária sua visão de mundo e consequentemente seu comportamento.

Não nos esqueçamos que cada um de nós constrói seu próprio conhecimento com base nas experiências vividas e informações que lhes façam sentido, portanto a maior parte do pensamento se inicia na etapa da percepção e tem relação direta com a maneira como a pessoa capta informação do meio ambiente. Isto definirá a maneira como vê a si, o mundo e o outro. Condicionadas por experiências prévias, seus conhecimentos e suas emoções.

É possível nos reorganizarmos mentalmente, bem como nossas percepções e as experiências, com o objetivo de mudar visões, enxergar o mundo de forma diferente, mais ampla e mais lúcida. Administrando de forma mais inteira nossos problemas, com visão mais clara assim como ampliando nossas capacidades em desenvolvermos estratégias em busca de soluções, mais eficientes e que nos tragam mais satisfação. Sem pretensão de controle. Neste cenário é permitido buscar ferramentas de apoio, como livros, troca de experiências com outras pessoas, filmes, terapias, participação em cursos etc. Busque os conhecimentos básicos a seu respeito e depois vá se aprofundando. Não desista dos seus sonhos, não desista de viver mais plenamente, de ter orgulho de sua história e de seu legado.

Não se esqueça de incluir em seus projetos de libertação mental exercício físicos, o cérebro produzirá endorfina, substância responsável pela sensação de prazer, diminuindo os efeitos nocivos da adrenalina, substância provocada pelo estresse, altamente tóxica à ação cerebral.

Exercícios simples que você pode começar para melhorar a qualidade e sua capacidade mental; vamos treinar?

Pegue um livro que você goste, pode ser aquele que você tem adiado ler mas que toda vez que o vê, você se cobra por não ter lido. A leitura de qualidade ajuda na capacidade de armazenamento de informações, além de ativar a memória, aumentar a compreensão e a associação. Sem falarmos da contribuição para melhoramento do seu vocabulário.

-Refletia sobre o que foi lido.

-Pense um pouco sobre o trecho que acabou de ler, tente entendê-lo o máximo possível.

– Ao comentar com alguém sobre o que você leu, ou com alguém que também tenha lido, você estará tanto armazenando informações quanto ativando a capacidade do seu cérebro, ao mesmo tempo em que desenvolve o raciocínio crítico, a imaginação e a criatividade.

Se por ventura, você começar a não se lembrar de nomes, entrar na mesmice, tudo sempre igual, a não ter novas ideias ou motivação para buscar novos interesses, fique atento, seu cérebro pode entrar em estado de apatia. Por estas e outras tantas razões, permita-se pensar e fazer coisas inesperadas, provoque neuroplasticidade, uma espécie de tratamento de choque no cérebro. Ambientes diferentes, num clima de desafios poderão ser os agentes de mudanças de atitudes, ajudando a pensar e ver as coisas de modo diferente.

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Laila Wahab
Advogada, psicóloga clínica e escolar.

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