Recomeçar – seja um trabalho, a vida em outra cidade, uma nova faculdade ou retomar atividades físicas – pode provocar sentimentos opostos: inseguranças X força de vontade; medo X esperança; pessimismo X otimismo.

Quando se trata de abrir o coração novamente aí é que os sentimentos ficam mais confusos.

Isso acontece devido a muitos fatores, como: feridas abertas, falta de confiança nos parceiros, medo de se frustrar…

Parece que o número de pessoas traumatizadas com relacionamentos cresce a cada dia e a consequência direta é a falta de vontade de tentar de novo. Ou, quando tentam, desistem no primeiro obstáculo.

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Resultado: relacionamentos superficiais e passageiros com pessoas frias e bloqueadas. Sintomas dos tempos modernos? Pode ate ser, mas você não precisa fazer parte disso se não quiser.

Toda vez que você leitor(a) generaliza homens ou mulheres como sendo todos(as) iguais, toda vez que julga alguém sem conhecer sua história de vida e seus motivos, toda vez que utiliza a máxima “pego, mas não me apego” você é quem está realimentando o sistema. Já parou para pensar na sua responsabilidade nessa “engrenagem”?

Mas como remar na direção contrária? Pergunta feita por uma paciente já cansada dos “tombos” na vida amorosa. Ela disse que não tinha mais forças para investir em alguém devido aos desapontamentos anteriores. E pior, tudo que ela sofreu ela conseguiu transformar em vingança e se tornou “extremamente sacana com os homens” – para usar suas próprias palavras no começo da terapia.

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Não é tão raro assim conhecermos pessoas machucadas que consciente ou inconscientemente passam a machucar outros. É a velha história da vítima que passa a ser a opressora.

De fato não é fácil caminhar na direção do amor depois de já ter amado uma vez e se machucado. É um ato que exige muita coragem e paciência. Mas reaprender a amar é possível e necessário.

O primeiro passo para isso acontecer é, sem dúvida, o perdão. Comece perdoando as pessoas que já passaram na sua vida, aceite a história que vocês viveram, não se faça de “coitado(a)”. Em um segundo momento agradeça a cada uma delas, mas principalmente as que mais te decepcionaram, pois foi com elas que você aprendeu as maiores lições.

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Agradeça os momentos felizes e tristes que passou ao lado delas, pois esses momentos ajudaram a construir quem você é hoje. Em seguida, perdoe-se.

Talvez isso seja o mais difícil para a maioria, pois as pessoas carregam culpas e arrependimentos tão bem guardados que desfazer-se desse peso todo é viver de uma forma radicalmente diferente. É sair de uma zona de conforto de queixas, lamúrias e vitimismo para sincronizar em um vibração oposta.

Depois que conseguir tudo isso – se perdoar, perdoar seus ex-parceiros e agradecer-lhes – o próximo desafio é refletir sobre qual caminho você quer trilhar e qual perfume quer exalar nesta caminhada.

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Por fim, quando chegar à conclusão que está pronto(a) para amar de novo, vai fundo. E se der medo, vai com medo mesmo.

Como diz Mário Quintana: “é tão bom morrer de amor e continuar vivendo”. Muito amor para todos(as)!

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Rosa Abaliac
Psicóloga e mestre em Psicologia Social. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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