O aumento no consultório de pessoas com o perfil controlador é evidente. O que chamamos de controlador são homens e mulheres com uma sobrecarga de funções e deveres em decorrência da necessidade de ter a maior parte das coisas da sua vida, e até da vida dos outros, sob controle.

É uma tarefa exaustiva, para controlar é preciso estar atento ao que acontece e ao que pode acontecer, quase sempre, de negativo. Uma necessidade de estar sempre alerta e preparado para as diversas possibilidades do destino.

Muitas vezes a vida nos coloca em situações onde precisamos executar várias funções, como mulheres que acumulam papéis da mãe, administradora da casa e profissional. A questão é a postura que temos diante desses desafios, alguns tem uma postura mais rígida e centralizadora, outros são mais flexíveis e delegam funções.

Por que controlar?

Muitas vezes a necessidade de controle revela uma enorme insegurança, esse fato pode vir do contexto em que vivemos, pois somos bombardeados com notícias que nos alarmam diariamente, como: violência urbana, diferentes doenças, acidentes possíveis, etc. Nesses casos, controlar significa tentar garantir a minha segurança e a segurança das pessoas a minha volta.

Além disso, podemos apresentar uma baixa autoestima e ter desenvolvido, ao longo da vida, uma crença de que coisas ruins acontecem conosco se não tivermos atentos e, por isso, é preciso estar alerta, preparado para se defender.

Procurar ter tudo sob controle traz alguns ganhos conscientes e inconscientes. Sabemos que quando nos planejamos e tentamos prever as situações podemos conquistar bons resultados. Se eu me planejo para uma prova e tento prever os assuntos, tenho boas chances de passar, isso é um ganho totalmente consciente. Mas alguns são inconscientes, como a sensação de poder que esse comportamento pode gerar. Quando eu me antecipo nas situações e centralizo afazeres, ganho um lugar especial e imprescindível, as pessoas me solicitam e me procuram, ganho um lugar de poder.

E os ganhos negativos?

O lado negativo existe, esse comportamento gera muita ansiedade, é preciso estar alerta a maior parte do tempo para poder prever, estar preparado e agir em diferentes situações possíveis. Os pensamentos ficam acelerados, o que pode gerar dor de cabeça, respiração ofegante, tonturas, dificuldades para dormir e relaxar, exemplos típico da ação do complexo. O corpo e a mente entram numa dinâmica acelerada que alteram todo o nosso estado físico, mental e psíquico.

Leia Mais: Para evitar o isolamento, pessoas controladoras precisam se policiar

Em situações extremas essa ansiedade pode gerar episódios de pânico ou doenças psicossomáticas.

Olhando pelo ponto de vista da psicologia analítica esses sintomas são coerentes com a ideia da tensão dos opostos e da compensação pelo inconsciente. Segundo Jung “… se a tensão dos opostos aumenta, em consequência de uma unilateralidade demasiado grande, a tendência oposta irrompe na consciência, e isto quase sempre precisamente no momento em que é mais importante manter a direção consciente.” (A Natureza da Psique)

Para Jung temos tudo em nós, assim como os opostos, se algo está na consciência logo o seu oposto está na inconsciência.

Na maior parte das vezes o que leva as pessoas aos consultórios psicológicos é quando estes opostos estão sob tensão. Quanto mais eu me vejo como uma pessoa planejada, organizada, esforçada mais os opostos estão crescendo na inconsciência. Quanto mais eu me vejo como uma pessoa controlada mais o descontrole está ganhando força na sombra. Como o inconsciente tem um caráter compensatório para equilibrar a psique, vem o sintoma e toma conta do cenário, revelando que há um desequilíbrio.

O que é um episódio de pânico? Um descontrole total, a pessoa não controla o pensamento, nem o corpo, ela só sente as sensações desagradáveis e revive um lugar de muita vulnerabilidade, aspecto que ela tenta evitar a todo custo e que justifica a sua postura tão controladora. Sentir tudo isso é pavoroso e saber que não se consegue controlar sozinho, que isso pode vir a qualquer momento, gera ainda mais insegurança e ansiedade, uma bola de neve que leva a procura por ajuda.

Caminhos possíveis.

A psicologia busca o equilíbrio entre os opostos, através do contato com o que irrompe o inconsciente e da posterior ampliação da consciência.

Um melhor entendimento de si mesmo leva a um esforço consciente na busca de novas direções, tentando flexibilizar posturas até então rígidas. A análise e o analista possibilitam o encontro com esses conteúdos inconscientes e sua elaboração, fortalecendo a pessoa em análise e possibilitando que ela retome a direção da própria vida.

(Autora: Marcela Pimenta Pavan)

(Fonte: acaminhodamudanca)

*Via site parceiro.

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