Crianças que crescem famintas por amor e que aprenderam que o amor é uma negociação em suas famílias de origem – um prêmio recebido por fazer algo que agrada a outra pessoa e nunca é dado livremente – se transformam em adultos que levam as lições aprendidas em casa para o mundo. Até que essas lições inconscientes sejam trazidas à percepção consciente, elas continuarão a direcionar seu comportamento adulto, muitas vezes causando danos.

Um dos danos mais insidiosos é ser alguém que faz tudo pra agradar, e dos oito tipos de comportamento materno que descrevo, tornar-se uma filha que agrada é uma posição padrão para quase todos eles.

Filhas de mães desdenhosas crescem famintas de atenção; elas farão praticamente qualquer coisa para impedir que suas mães as ignorem. Tentar ganhar essa aprovação e consideração por meio de agrados é frequentemente a resposta.

O problema é que tudo o que as filhas fazem – desde tirar boas notas a ter muitos amigos – está realmente a serviço de outro objetivo, conquistar o amor de suas mães. Essas garotas na verdade acreditam que suas próprias necessidades não importam. Infelizmente, suas conquistas coexistem com baixa autoestima.

Filhas de mães controladoras aprendem cedo a ignorar suas próprias vozes e se asseguram de andar sempre na linha porque, do contrário, haverá consequências; elas também se tornam pessoas que fazem de tudo pra agradar na vida adulta e, ironicamente, são frequentemente atraídas a parceiros e amigos controladores.

Filhas de mães não confiáveis – que às vezes agem de forma solidária e amorosa e depois são notavelmente ausentes e arredias, ou hipercríticas e hostis – criam a maior destruição na psique de uma criança, porque a criança nunca sabe se a Boa Mamãe ou a Mamãe Má aparecerão. Essas filhas aprendem duas lições tóxicas: que o amor nunca é confiável e que o amor o torna vulnerável a ser ferido. Se elas se tornam pessoas que agradam quando adultas, quase sempre vem com uma porção de raiva da parte delas; são esquivas e ansiosos de maneira alternada.

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Filhas de mães com traços narcisistas conhecem a rotina: permaneça nas boas graças da mamãe e orbite ao seu redor satisfazendo-a, ou seja o bode expiatório banido para uma galáxia extremamente distante. Essas filhas sabem desde o início que “agradar” é o nome do jogo e aprendem que a única maneira de medir seu próprio valor é ouvir o que as outras pessoas pensam. Essas meninas crescem sempre em busca de validação externa; sua existência depende de agradar aos outros.

Finalmente, há a mãe combativa que é totalmente intimidadora, mesmo que ela ache que é forte, determinada e que sabe de tudo. Oponha-se a ela por sua própria conta e risco, porque ela está sempre armada e pronta para uma luta, e usará qualquer tática abusiva para vencer. Como a mãe com traços narcistas elevados, a mãe combativa vê seus filhos apenas como extensões de si mesma, representando-a bem ou mal. Enquanto algumas filhas cuidam dessas mães, a maioria irá sair do caminho. Algumas aprenderão a pisar em ovos e se proteger, dizendo a si mesmas que não precisam de ninguém. Outras se tornarão tão agradáveis que farão qualquer coisa para evitar um confronto e sempre aplacar a outra pessoa.

Por que agradar é uma situação em que ninguém ganha

O problema de agradar é o fato de ser um comportamento altamente desadaptativo, que garante que você permanecerá tão infeliz quando adulto quanto era quando criança. Você pode ser conhecido por amigos, vizinhos e colegas como aquela garota ou mulher que está sempre disposta ir além, mas a triste realidade é que você está em um carrossel nada divertido de rodar.

7 maneiras em que a pessoa que agrada se sabota

O objetivo dessa lista não é fazer com que você se envolva em ódio ou crítica de si mesmo, mas ajudá-la a perceber que suas ações estão atrapalhando o que você realmente quer: conexão e carinho genuínos.

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Você rouba sua própria voz

Ao sempre dizer “sim” a cada pedido ou demanda que alguém faz, você adquire o hábito de negligenciar suas próprias necessidades e desejos; basicamente, você assumiu o papel de sua mãe na idade adulta. Embora seja uma boa ação passear com o cocker spaniel da sua vizinha enquanto ela está no hospital, você não precisa se tornar um capacho toda vez que ela lhe pedir um favor. Amigos genuínos podem às vezes nos ajudar, mas às vezes eles não conseguem. Se a pessoa for uma boa amiga, ela compreenderá isso.

Você nunca se sente boa o suficiente

Sua dependência das respostas de outras pessoas para validação inevitavelmente fará com que você se sinta um fracasso ou inadequada a maior parte do tempo por vários motivos diferentes. E quando elas não te elogiarem por fazer mais que o necessário, você inevitavelmente se sentirá traída. Você tem que aprender a se sentir bem consigo mesma sem uma audiência.

Você se sente usada (e furiosa)

Porque você acha que a afeição só é conquistada fazendo algo, e não sendo você mesma, suas expectativas sobre o quanto as outras pessoas deveriam ser gratas pelo que você fez são, muitas vezes, fora da realidade. Você tem ignorado seus próprios desejos e necessidades – indo para aquele filme de ficção científica quando você odeia ficção científica, concordando em ajudar seu amigo a evitar despesas de mudança alugando um caminhão de mudanças, o que você na verdade não queria fazer, assando 100 cupcakes para a venda de bolos de caridade, o que a manteve acordada até às 2 da manhã. Você achava que as pessoas a admirariam por isso – mas depois culpa os outros por usarem você e ignorarem suas necessidades. Percebe o ponto?

Você sempre se sente excluída

Infelizmente, mais do que tudo, sua suposição de que sempre há um preço para a admissão – algo que você aprendeu na infância – fará com que se sinta uma perpétua forasteira. O pertencimento não exige que você sufoque seus pensamentos e sentimentos e diga “sim” quando realmente quer dizer “não”. Reconheça isso como uma lição ruim transmitida e trabalhe para desaprendê-la.

Sua fome de aprovação tira sua verdadeira alegria

Mesmo quando as pessoas apreciam você ou reconhecem suas realizações, essa fome profundamente enraizada entra em seu caminho; você sempre precisa de uma ovação de pé, mas, honestamente, algumas vezes aplausos sutis deveriam ser bons o suficiente. Também não ajuda você estar sempre procurando por pistas ou sinais de rejeição. Reconheça que você fez a sua parte e ficará mais feliz.

Você se esconde à vista de todos

Você frequentemente pensa que ninguém conhece o seu verdadeiro eu, mas ignora como e por que isso acontece. As pessoas forjam amizades e conexões aprendendo sobre os interesses, necessidades, pensamentos e desejos de cada um. Focando apenas em agradar, você perde muitas oportunidades. Dizendo às pessoas somente o que você acha que elas querem ouvir, você se esconde. Antes de reclamar que ninguém a conhece, dê uma boa olhada no porquê.

Você se sente como uma fraude

Sua necessidade de evitar confrontos ou rejeição às vezes faz com que você se sinta desonesta e, adivinhe? É parcialmente verdade. Você editou cuidadosamente o roteiro na esperança de agradar seu público e, sim, isso é mentira.

A boa notícia é que o que foi aprendido na infância pode ser desaprendido com terapia e autoajuda. Ninguém está condenado a desempenhar o papel de agradar para sempre. Mesmo.

(Fonte: psychcentral)
*Traduzido e adaptado por Marcela Jahjah, da equipe Fãs da Psicanálise

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