Com certeza você já ouviu falar de pessoas tóxicas. São aquelas que de tão negativas afetam não apenas a si mesmas, mas também quem está por perto.

O convívio gera desgaste emocional, pois são verdadeiras sugadoras de energia. Nem sempre a pessoa o faz de propósito, aliás, geralmente ela nem sabe que é tóxica. Mas isso não muda o fato de serem prejudiciais, principalmente aos mais próximos.

Existem aqueles tóxicos clássicos, como o ex (ou atual) abusivo, o chefe que tem prazer em humilhar seus funcionários, aquela tia que sempre te pergunta quando você vai arrumar um namorado (quando você namora pergunta quando vai casar, quando casa pergunta quando vai ter filho, etc…), o pessimista que vê defeito em tudo, o fofoqueiro que fala mal de todo mundo, o mentiroso compulsivo, o falso que se finge de bonzinho…

Esses não são tão perigosos, pois é fácil identificá-los. Sua energia negativa é quase palpável. Porém, existem aqueles que nem desconfiamos, mas que acabam fazendo a gente desperdiçar uma energia danada sem se dar conta.

Sabe aquele amigo de infância que você não vê há anos e que te deixa todo reencontrar, mas aí quando acontece você percebe que a pessoa se tornou um total estranho e vocês não tem mais nada em comum? É frustrante se dar conta que uma amizade (ou um amor) que já foi tão importante na sua vida um dia morreu. Mas acontece, pois as pessoas mudam e nem sempre seguimos por caminhos parecidos.

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Em situações como essa muitas vezes não aceitamos o fim, não deixamos a pessoa ir, seguir seu rumo longe da gente, tentamos de alguma forma fazer aquela amizade renascer dentro de nós mesmos e do outro. Outras vezes é o outro que não larga o osso e nos vemos naquela situação forçada e desconfortável, sem saber como sair. Afinal, como simplesmente virar as costas para alguém que nos ajudou muito?

Por mais que nossa intuição nos avise que aquilo não vai dar certo, a culpa nos convence de que devemos dar mais uma chance. Afinal, se ela me procurou é porque gosta de mim e sentiu minha falta, certo? Que tipo de ser humano terrível eu seria se não fizesse um esforço? A verdade é que nem sempre alguém que reaparece do passado o faz porque gosta realmente de nós. Às vezes as pessoas o fazem por pura curiosidade ou pior, por inveja.

Sim, é triste admitir isso, parece prepotência, mas não é. As redes sociais viraram um tipo de competição de quem tem a vida mais divertida e feliz. Quem viaja mais, quem sai mais nos fins de semana, quem fica mais bonito nas selfies, quem come as coisas mais gostosas, que ganha mais curtidas

É natural que quando nossa vida não está muito interessante a gente acabe sentindo inveja de quem aparenta estar vivendo uma situação melhor que a nossa. Eu disse “aparenta”, pois nem sempre o que parece é, ainda mais nas redes sociais. Daí bate uma curiosidade de saber se aquela suposta felicidade é real, onde está o ponto fraco daquela pessoa, não é possível que não tenha um defeito, um problema…

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E muitas vezes é esse sentimento meio mesquinho, porém totalmente humano, que motiva aquele primeiro “oi”. Não é saudade, nem tampouco preocupação. Ou talvez seja um misto de tudo isso. A questão é que geralmente nem a própria pessoa reconhece pra si mesma que tem inveja. E daí para o outro perceber isso também não é tão simples. Perde-se muito tempo e energia tentando ser cordial com quem na verdade está apenas tentando se sentir melhor procurando pelos seus defeitos e fraquezas. Muitas vezes, tentando até mesmo te sabotar (consciente ou inconscientemente).

Mas como perceber e evitar pessoas assim?

Se culpando menos e ficando mais atento aos sinais: a culpa nos deixa cegos a ponto de acabarmos fingindo não ver o que está diante de nossos olhos. Basta reparar em como a pessoa te trata.

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Ela demonstra indiferença? Só te procura quando precisa? Julga e condena ao invés de tentar entender? Você sente sinais de falsidade? Ela combina coisas com você e te dá bolo ou desiste em cima da hora, te deixando na mão? Não se interessa por nenhum assunto que você goste? Vive falando mal dos outros pra você? Faz-se de vítima o tempo todo? Problematiza tudo que você fala? As conversas acabam virando sempre discussões? Te critica muito? É muito irônica e\ou sínica? Demonstra frieza e\ou se diverte com seus problemas? Gosta de falar, mas não de ouvir? Você sente que depois de conversas com ela perde a paz, fica nervoso ou cansado? Tudo isso são indícios de que essa pessoa não está te fazendo bem.

É interessante se colocar no lugar do outro e analisar as próprias atitudes para ver se não estamos sendo também pessoas tóxicas. Muitas vezes tendemos a ser esponjas, absorvendo toda a negatividade, outras acabamos sendo espelhos, refletindo comportamentos ruins. O melhor é se afastar daqueles que nos fazem mal e tentar não ser como eles. Afinal, a pessoa que é assim sofre. É importante aprender a deixar ir: tudo que quer ir, tudo que não acrescenta, tudo que nos faz mal, tudo que nos atrasa, tudo que nos tira a paz. Pensar primeiramente em si mesmo não é egoísmo, é amor próprio.

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Ellen Dutra de Oliveira
Graduada em Engenharia Civil, atua como militante em movimento social. É apaixonada por animais, livros, música, filmes, séries e pelos mistérios da mente humana. É colunista do site Fãs da Psicanálise.


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