Tristeza, no dicionário, é dito como “Qualidade ou condição de triste; falta de alegria; melancolia.”, mas e para você, o que quer dizer tristeza? O que ela provoca em você e o quanto atrapalha as suas atividades do dia a dia? Como saber a diferença entre tristeza e depressão?

Pode parecer um tema bobo de conversarmos, afinal, quem nunca se sentiu triste pelo menos algumas vezes na vida? É normal, não é mesmo? Mas como sempre, acreditamos que quanto mais conversamos sobre esses sentimentos e sensações, mais conseguiremos trabalhar eles dentro de nós mesmos, e melhor saberemos superá-los.

O QUE É A TRISTEZA?
O significado do dicionário você já conheceu, mas vamos aprofundar conceito de tristeza para compreendermos melhor as emoções e sensações que nos provoca.

A tristeza é um dos seis sentimentos fundamentais que todo ser humano é capaz de sentir, assim como, a felicidade, a raiva, o medo, a repulsa e a surpresa. Ela é, como todo sentimento, uma resposta e reação a algo que acontece em nossa vida ou na vida de outras pessoas.

Especialistas garantem que a tristeza é um dos sentimentos mais duradouros quando provocados, muito mais do que a alegria ou felicidade. Isso porque costumamos remoer essa sensação por mais tempo, o que pode gerar, de fato, um problema maior, que não é só a tristeza em si, mas transtornos de ansiedade e de depressão, por exemplo.

Para você ter uma ideia da dimensão da tristeza, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 120 milhões de pessoas no mundo sofrem de tristeza profunda. E segundo a OMS a causa desses números está relacionada à situação de perda de alguém querido, término de um relacionamento, frustração no trabalho ou com a carreira, problemas de performance, descontentamento com as conquistas pessoais, traumas e conflitos internos mal resolvidos.

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Esses dados da OMS só nos faz reforçar o quanto os cuidados com o bem-estar emocional são importantes para a vida de todos nós, pois, na alegria ou na tristeza, todos temos sensações internas para superar, e nem sempre é com frases motivadoras ou lições de outros que vamos conseguir, é preciso a ajuda de um especialista, como psicólogos, terapeutas e psiquiatras.

TRISTEZA OU DEPRESSÃO?
É comum não conseguirmos ter a sensibilidade de compreender se o que estamos vivendo é uma tristeza profunda ou uma depressão. Por isso, perguntamos a psicóloga e especialista, Tatiana Festi, como podemos avaliar melhor internamente que tipo de sensação estamos vivendo.

Para Tatiana, a tristeza é uma reação natural a situações difíceis de serem vivenciadas e sentir tristeza é saudável, mas quando essa tristeza perdura por muito tempo, impedindo que a pessoa consiga continuar com as suas atividades normais do dia a dia, é provável que ela esteja desenvolvendo uma tristeza característica da depressão.

As causas da depressão podem ser genéticas, alterações de neurotransmissores, doenças crônicas, situações traumatizantes, abuso de álcool e outras drogas. Portanto, de um ponto de vista de conceitos, quando pensamos em tristeza ou depressão devemos pensar se é um sentimento ou uma doença.

Veja alguns pontos que podem ajudar a identificar se estamos sentindo uma tristeza profunda ou depressão:

1) Reação apropriada X reações extremas: o sentimento de tristeza corresponde a uma reação apropriada diante de algum evento e não perdura mais do que horas ou dias; já a depressão, é caracterizada por reações extremas, em que a sensação é de que aquilo nunca irá passar.

2) Prazer X sentimento de vazio: a tristeza nos desencoraja, mas essa sensação oscila durante um tempo. Na depressão o sentimento de vazio é constante, principalmente, de perda do sentido da vida.

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3) Vitalidade X exaustão: a tristeza não o impede de seguir com as suas atividades e tarefas do dia a dia e relações pessoais. Podem parecer um pouco sem sentido, é claro, mas você ainda consegue agir. Na depressão não há essa energia, e a pessoa depressiva se afasta lenta ou abruptamente de pessoas e da rotina que antes era prazerosa.

4) Pensamentos negativos X distorção da realidade: os pensamentos negativos atuam durante um período de tristeza e é uma reação comum, já na depressão esses pensamentos ficam distorcidos, mais próximos da imaginação e distante da realidade.

DICAS DE COMO SUPERAR A TRISTEZA
Passar por cima dos sentimentos de tristeza é uma das ferramentas que muito de nós utilizamos para camuflar essa sensação ou para simplesmente tentar encontrar a felicidade mais rápido. Sem dúvidas isso pode funcionar em alguns casos e para algumas pessoas, mas a verdade é que é importante quando você se permite se relacionar com todos os sentimentos que você sentir.

Como assim? Explicando melhor, superar da forma mais rápida pode parecer a solução ideal, mas você já pensou que quando você ignora determinados sentimentos na verdade você não está efetivamente superando eles? Quando você se propõe a vivê-los, a chance de compreensão, autoconhecimento e evolução se torna mais evidente e funcional para os eventos futuros que podem surgir.

De qualquer forma, separamos aqui algumas dicas para você aprender a trabalhar melhor as emoções da tristeza e de fato superá-las.

1) Conecte-se com os seus sentimentos: nossas emoções sinalizam algo bem maior do que apenas o que estamos vivendo naquele momento. Esconder, evitar ou camuflar, não lhe torna alguém mais forte e capaz de superar os desafios com mais facilidade. Não tenha pressa, não há problema algum em ficar triste ou muito feliz por algo. Tudo isso é natural e somos seres capazes de viver diferentes emoções todos os dias. A forma com que vamos reagir é que deve ser trabalhada por nós mesmos ou com a ajuda de um especialista;

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2) Pratique o autoconhecimento: continuando a linha de raciocínio do item anterior, quando praticamos o autoconhecimento, assim como a inteligência emocional, somos capazes de administrar melhor as nossas emoções. Quando você se conhece e sabe entender o que te faz bem ou mal, o que pode te trazer benefícios ou prejuízos, você tem uma excelente ferramenta na mão;

3) Valorize-se: os pensamentos e mensagens negativas que recebemos de nós mesmos e de outras pessoas, podem provocar baixa autoestima e nos deixar inseguros. Lembre-se de cultivar pensamentos positivos, descartar críticas e autocríticas que não contribuem para a sua evolução e repita todos os dias para si que você é sim o ser único no mundo e que a sua vida e suas atitudes tem valor;

4) Cuide da sua saúde: a prática de atividades físicas não são apenas fundamentais para cuidar do corpo e mantê-lo bonito. Ela é também uma excelente válvula de escape que faz o seu corpo e seu organismo se movimentar e responder com sensações positivas. Além da questão física, cuidar da mente é fundamental, por isso, invista em conhecer técnicas de respiração e de meditação, isso irá te ajudar a controlar melhor suas reações e a estabelecer mais momentos de equilíbrio;

5) Valorize as suas relações pessoais: mais do que amar as pessoas, precisamos nos dedicar a viver momentos de prazer com elas. Por isso, aproveite os momentos livres para se conectar com quem você tem afeto e aproveite de forma intensa essas sensações;

6) Aceite ajuda: assim como aproveitar momentos bons com as pessoas, também precisamos estabelecer laços de confiança para nos abrir em momentos de dificuldade e tristeza. Identifique quem de fato está do seu lado na “saúde e na doença” e confie nelas as suas emoções e desabafos;

7) Pratique a compreensão: nada é por acaso e somos sim seres capazes de superar e de conviver com diferentes dores. Quando você compreende melhor o que acontece no seu meio você identifica as dificuldades como novos degraus para a sua evolução;

8) Psicoterapia: a terapia é para quem está triste e para quem não está triste. Para quem tem depressão ou algum transtorno mental ou não. Terapia é para todo mundo e mais do que trabalhar sensações ruins ou momentâneos, o especialista poderá te ajudar a encontrar habilidades positivas em você, como o próprio autoconhecimento, que falamos aqui, como a empatia e a gratidão.

(Fonte: zenklub)

*Texto publicado com a autorização da administração do site.

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